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CEO do Banco Montepio estima que cerca de 10% a 15% da carteira de crédito pode estar nas áreas afetadas

Sobre a sua saída do Banco, Pedro Leitão não admite ter ficado surpreendido e prefere dizer que se deve olhar para a situação com “normalidade”, lembrando que o trabalho que lhe foi pedido de conseguir um banco robusto e sustentável está cumprido, o contributo é inequívoco e o “algodão não engana”. 
O CEO do Montepio, Pedro Leitão, participa na 6.ª edição da Money Conference “Recessão, Resiliência ou Sobrevivência? 2022, o ano da guerra”, esta manhã em Lisboa, 10 de novembro de 2022. MIGUEL A. LOPES/LUSA
15 Fevereiro 2026, 14h03

O CEO do Banco Montepio destacou, em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena 1/Jornal de Negócios, a rapidez com que os apoios financeiros foram colocados à disposição das pessoas e das empresas afetadas pelas tempestades onde foi declarado o estado de calamidade.

Pedro Leitão diz mesmo que, em comparação com o passado, a resposta foi melhor, mais rápida e mais abrangente. Refere ainda que, para já, a procura por informação sobre os apoios financeiros e as moratórias é bastante, mas que nem toda essa procura ainda se materializou porque particulares e empresas procuram avaliar melhor os estragos para determinar se se justifica pedir o apoio financeiro.

Pelas contas do CEO do Montepio, em termos gerais, cerca de 10% a 15% da carteira de crédito pode estar nas áreas afetadas. Para o presidente executivo do banco da Associação Mutualista, isto significa que “há risco de incumprimento, mas esse risco pode ser mitigado se as medidas de apoio avançarem rapidamente para o terreno e forem bem aplicadas.”

Recorde-se que os bancos portugueses estão a operacionalizar moratórias de 90 dias (até 28 de abril de 2026) para suspender o pagamento de capital e juros em créditos de famílias e empresas afetadas pela tempestade Kristin. A medida, aplicável a municípios em situação de calamidade, permite adiar prestações sem incumprimento, retroagindo a 28 de janeiro de 2026, com formulários disponíveis nos canais digitais e agências.

Sobre a atribuição de verbas a fundo perdido, Pedro Leitão considera que a existência de mais opções é sempre positiva, desde que os critérios sejam concretos e de fácil compreensão para serem usados de forma complementar.

Já sobre a garantia pública à compra de habitação pelos jovens, o CEO do Banco Montepio revela que a procura tem sido muito grande. O montante inicial atribuído esgotou-se rapidamente. A linha do Banco Montepio foi reforçada para os 60 milhões de euros e deste montante dois terços já estão comprometidos, sendo que o ano passado do total de crédito concedido, 41%, foi a jovens e, destes, uma parte significativa com garantia do Estado, um instrumento que, considera, deve continuar.

Ao contrário de outros CEO de bancos, Pedro Leitão não vê necessidade de financiar os créditos à habitação a 100% no futuro.

Na semana em que foram apresentados os resultados do banco, acima dos 100 milhões de euros, Pedro Leitão que, já se sabe, vai deixar a presidência executiva do Banco Montepio, preferiu não adiantar o valor dos dividendos a atribuir, mas, ainda assim, na mesma entrevista, diz que não serão inferiores aos 30 milhões do ano passado.

Pedro Leitão defende que é preciso ter sentido de responsabilidade e critério e lembra que com a sua administração foi possível quebrar um “jejum de 12 anos em que não foi possível distribuir dividendos”.

Neste sentido refere que, ao contrário do que acontecia quando chegou ao banco, em 2020, só é possível distribuir dividendos porque os resultados têm vindo a crescer, ascendendo atualmente a mais de 100 milhões.

Isso acontece, diz, “porque os níveis de capital deixaram de estar no zero, como no passado, permitindo ter uma almofada financeira confortável, porque o malparado de 2 mil milhões de euros foi limpo do balanço e porque, ao contrário do que acontecia há seis anos, o banco, em vez de se financiar com um spread de 10%, hoje vai ao mercado com 1,48%”, sublinha Pedro Leitão que acrescenta que foi o “turn around mais vibrante da história recente da banca em Portugal”. Isto numa altura em que já se sabe que a acionista, Associação Mutualista Montepio Geral, não o vai reconduzir num novo mandato e escolheu para o substituir José Azevedo Pereira, ex-CEO do Eurobic.

Sobre a sua saída do Banco, Pedro Leitão não admite ter ficado surpreendido e prefere dizer que se deve olhar para a situação com “normalidade”, lembrando que o trabalho que lhe foi pedido de conseguir um banco robusto e sustentável está cumprido, o contributo é inequívoco e o “algodão não engana”.


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