A Caixa Geral de Depósitos registou lucros de 1,4 mil milhões de euros até setembro, a subirem 2% num ano. Num contexto em que o volume de negócio cresceu 10 mil milhões de euros (+6%) para 172 mil milhões de euros.
A atividade doméstica foi responsável por 1,29 mil milhões de euros do resultado líquido consolidado, enquanto a atividade internacional contribuiu com 106 milhões de euros. As entidades internacionais que mais contribuíram para o resultado líquido consolidado foram o BNU Macau (37 milhões de euros), o BCI Moçambique (31 milhões de euros) e o BCG Angola (16 milhões de euros).
Paulo Macedo, CEO do banco, disse que “é de salientar que apesar do crescimento de 2% dos resultados, o volume de negócios cresceu 10%, atingindo 172 mil milhões na atividade consolidada. A margem financeira, como já tínhamos visto nos anteriores trimestres reduziu-se”.
O CEO destacou que “temos cerca de 2,5 milhões de clientes em Portugal, mas também já temos cerca de 2,1 milhões de clientes mobile”.
A rentabilidade medida pelo ROE caiu ligeiramente para 24,9%.
O rácio de capital CET1 fixou-se em 21,3%. O CEO da Caixa disse que “mantemos os valores acima de 21%, após o pagamento do dividendo histórico de 850 milhões que ocorreu este ano e ainda tivemos uma geração orgânica de capital de 7,4 mil milhões de euros, desde a recapitalização. Portanto, para além dos dividendos que foram distribuídos, gerou-se um valor significativo de capital”.
A margem financeira caiu 200 milhões de euros (-9,7%) num ano para 1.915,7 milhões de euros. Mas a carteira de crédito aumentou 3 mil milhões de euros.
“A margem financeira acompanha a evolução das taxas de mercado. O crescimento da carteira de crédito e de títulos, a par da gestão do risco de taxa de juro mitigam queda da margem”, refere o banco.
“A margem financeira consolidada registou uma redução de 206 milhões de euros (-10%) face ao período homólogo, totalizando 1,9 mil milhões de euros. Esta evolução decorre, essencialmente, devido à atividade doméstica. A administração da Caixa revelou que já se registou no terceiro trimestre uma estabilização da margem financeira.
As comissões estabilizaram na atividade consolidada, totalizando 439 milhões, subindo 0,5%.
O produto bancário recuou 7% para 2.502 milhões de euros.
O administrador financeiro da CGD, Antonio Valente, explicou que estes resultados já integram os 29 milhões de euros de devolução do Adicional de Solidariedade.
Os custos de estrutura recorrentes registaram um acréscimo de 34 milhões de euros (+5%) face a setembro de 2024. Este aumento decorre, essencialmente, do investimento contínuo da Caixa na transformação tecnológica.
A Caixa manteve o seu rácio de eficiência recorrente (Cost-to-Income) abaixo da média europeia, situando-se em 29,3% nos primeiros nove meses de 2025.
Paulo Macedo disse também que a Caixa já pagou ao Estado mais de 1.500 milhões de IRC e ainda vai entregar mais de 200 milhões de euros, isto relativamente aos anos 2024 e 2025.
A Caixa tem neste trimestre um contributo das imparidades para os lucros, o CFO referiu que ascendeu a 280 milhões de euros o contributo positivo para o resultado líquido, dos quais 161 milhões é a reversão de provisões e imparidades para riscos de crédito.
A influenciar a conta de resultados está assim a reversão de imparidades. “Tal como no período homólogo de 2024, verificou-se, ao longo dos primeiros nove meses de 2025, uma reversão líquida de imparidades para risco de crédito, sustentada por uma gestão rigorosa do risco e pela melhoria do enquadramento macroeconómico nacional. A atuação proativa na gestão do crédito em incumprimento permitiu manter elevados níveis de recuperação, totalizando 44 milhões de euros em setembro de 2025”, refere o banco.
Há depois menos 22 milhões de euros de provisões porque o banco cancelou as exposições que tinha com alguns clientes de maior risco, o que levou à libertação dessas provisões, disse o CFO.
António Valente destaca o que resulta da aplicação dos modelos de imparidades e da avaliação individual do risco de crédito, que permitiu reverter 94 milhões de euros nos nove meses.
O custo de risco de crédito consolidado passou de –0,50% em dezembro de 2024 para –0,33% em setembro de 2025, refletindo a melhoria da qualidade dos ativos.
Há ainda um aspeto a assinalar “na evolução da conta de exploração da Caixa foi o movimento na provisão para o Mecanismo de Compensação, decorrente da transferência das responsabilidades financiadas pelo Fundo de Pensões do Pessoal da CGD para a Caixa Geral de Aposentações”, refere o banco.
“Assim, enquanto nos primeiros meses de 2024 foi efetuado um reforço da provisão para este passivo contingente no montante de 136 milhões de euros, este ano regista–se uma reversão de líquida de 28 milhões de euros, devido a atualização do cálculo atuarial, nomeadamente com a revisão em baixa da taxa de inflação inicialmente esperada. Este efeito influenciou a evolução das provisões e imparidades totais entre setembro de 2024 e setembro de 2025″, acrescenta.
“Não considerando os efeitos não recorrentes, nomeadamente o programa de reestruturação da Caixa, as provisões e imparidades líquidas fixaram–se em –126 milhões de euros em setembro de 2025, comparando com –166 milhões de euros no período homólogo”, segundo o comunicado do banco.
Crédito sobe e sustenta lucros
No balanço, a carteira de crédito a clientes aumentou 7,8% para 58.189 milhões de euros face a setembro de 2024. Os depósitos aumentaram 4,9% para 89.195 milhões, num ano.
Em termos depósitos de particulares, na atividade em Portugal houve um crescimento de 3,87% para 60.386 milhões de euros.
Em Portugal o crédito aumentou 9,2% num ano para 50.912 milhões de euros. Em Portugal o crédito à habitação aumentou quase 10% para 27.485 milhões de euros e a CGD lidera com uma quota de mercado de 24,1% no crédito à habitação.
A CGD pediu um reforço da garantia pública para crédito jovem, revelou o administrador financeiro do banco.
O banco vai pedir um reforço em 250 milhões de euros da garantia pública a que pode aceder para crédito à habitação para jovens, disse hoje o presidente executivo em conferência de imprensa.
Segundo a informação hoje divulgada, o banco público já concedeu 1.300 milhões de euros em crédito à habitação a jovens com garantia pública, no total de mais de 6.650 operações contratadas ou em fase final de contratação.
Quanto aos pedidos de empréstimos, estes ascendem a mais de 12.800 no total de mais de 2.500 milhões de euros.
Em termos de qualidade da carteira de crédito, o nível da qualidade dos ativos, o rácio NPL consolidado caiu para 1,55% em setembro.
“A exposição a ativos non-core, ou seja, fundos de reestruturação, malparado, imóveis, reduz cerca de 57 milhões de euros, esperando nós ainda vir a reduzir este valor até ao fim do ano”, reforçou Paulo Macedo.
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