Cofina vai ganhar dois novos acionistas após aumento de capital

O cenário é uma projeção da própria Cofina face ao aumento de capital no montante total de 85 milhões de euros.

CEO da Cofina, Paulo Fernandes | Foto cedida

O grupo de media liderado por Paulo Fernandes vai emitir 188 milhões novas ações, a 0,45 euros cada título, com o objetivo de encaixar um máximo de 85 milhões de euros, valor que permite o financiamento necessário para a Cofina comprar a Media Capital. Todo o processo vai provocar alterações na estrutura acionista da dona do Correio da Manhã e CMTV, surgindo dois novos acionistas relevantes, fruto da diluição dos atuais acionistas.

Tratam-se da Pluris Investments de Mário Ferreira e do banco espanhol Abanca. “A Pluris Investments, S.A. e o Abanca Corporación Bancária S.A., que não são atualmente acionistas do emitente [a Cofina] manifestaram a sua intenção de assumir posições relevantes no capital social da Cofina”, lê-se no prospeto da oferta pública de subscrição (OPS) que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgou na segunda-feira.

O cenário é uma projeção da própria Cofina face ao aumento de capital em curso. Contudo, o cenário só poderá tornar-se uma realidade se o aumento de capital for totalmente subscrito no montante global de 85 milhões de euros.

A grande novidade é a entrada do empresário Mário Ferreira na administração da Cofina. Mário Ferreira entrou no ‘barco’ Cofina, depois ter firmado quatro contratos de compra e venda de direitos de subscrição das novas ações, via Pluris Investmentes,  “através dos quais adquiriu um total de 18.044.763 direitos de subscrição das novas ações” da Cofina.

Através da sociedade Pluris Investments, Mário Ferreira deverá investir um total de 20 milhões de euros na subscrição de mais de 44 milhões de novas ações da Cofina, fruto do aumento de capital. O investimento permitirá a Mário Ferreira passar a controlar 15,25% do grupo de media, tornado-se, assim, no segundo maior acionista da dona do Correio da Manhã.

A Pluris Investments de Mário Ferreira, juntamente com os atuais acionistas da Cofina (Promendo Investimentos; Caderno Azul; Actium Capital; Livrefluxo e Valor Autentico), faz parte do sindicato de investidores que tem direitos de preferência na subscrição das novas ações. Dos 85 milhões de euros, este conjunto de investidores deverá garantir “aproximadamente” 60 milhões de euros na OPS, segundo o prospeto. A data limite para a compra de ações da Cofina com direitos de preferência na subscrição das novas ações é dia 20 de fevereiro.

O Abanca é o outro acionista relevante que a Cofina ganhará após o aumento de capital. O prospeto explica que o banco espanhol vai entrar na estrutura acionsita da Cofina, depois de vender a sua participação na Media Capital à empresa de Paulo Fernandes, precisamente.

O banco detém 5% da Media Capital (via  Nova Caixa Galiza) e com a aquisição da dona da TVI pela Cofina, o Abanca comprometeu-se a reinvestir o montante que vai receber no aumento de Capital do grupo liderado por Paulo Fernandes. A Cofina prevê que o Abanca passe a deter 7,6% do capital do grupo, concluído aumento de capital.

Contudo, “uma vez que, de acordo com a informação pública disponível, nem o ABanca nem a Pluris são acionistas do emitente [a Cofina], estas entidades poderão não conseguir subscrever todas ou parte das novas ações”, no âmbito do aumento de capital.

Diluição dos atuais acionistas
O aumento de capital levará ao crescimento do número de títulos acionistas da Cofina. A emissão de novas ações vai ‘rechear’ o mercado de títulos da Cofina, de forma tão expressiva que os investidores que não entrem no aumento de capital poderão ver as suas posições ser alvo de uma forte diluição.

Segundo o prospeto, por exemplo, quem controlar 1% do capital ficará com uma participação de 0,35%, se não subscrever os novos títulos.  Trata-se de uma “diluição equivalente a 64,81%”. Assim, embora em montantes diferentes, todos os acionistas atuais da Cofina vão ver as suas posições modificadas.

Paulo Fernandes permanecerá na frente da dona do Correio da Manhã, reforçando a sua posição com o aumento de capital. Através da Actium Capital, hoje dona de 13,88% da Cofina, Paulo Fernandes também deverá empregar vinte milhões de euros para ficar com 20,13% do grupo.

João Borges de Oliveira, via Caderno Azul, comprometeu-se a investir de 8,8 milhões de euros na OPS, passando a sua posição dos atuais 15,01% para 12,01%.

Domingos José Vieira de Matos, por sua vez, investirá 7,5 milhões de euros, para ficar com 10% da Cofina (atualmente detém 12,09%). A Valor Autêntico de Pedro Borges de Oliveira vai empregar quatro milhões para garantir 6,5% da Cofina, quando hoje controla 10,02%.

Já a Promendo Investimentos de Ana Menéres de Mendonça, hoje a maior acionista da Cofina com 19,98%, verá a sua participação reduzida para 10,84%.

Os pequenos acionistas da Cofina, que hoje representam 29,02% do capital do grupo, deverão passar a representar apenas 17,58% do capital concluído aumento de capital. Neste grupo encontra-se a posição de apenas 2% do Santander Asset Management, que assumiu, segundo o prospeto, querer participar na OPS. Contudo, ainda não assumiu nenhum compromisso com o futuro da Cofina.

Após aumento de capital segue-se registo da OPA
Concluído o aumento de capital, a Cofina deverá avançar para o registo da oferta pública de aquisição (OPA) da Media Capital. A OPA e o respetivo processo de aquisição do grupo liderado por Paulo Fernandes sobre a dona da TVI poderá estar concluído na última quinzena de março.

A Cofina vai desembolsar 123,29 milhões de euros pela Vertix SGPS (veículo da Prisa que controla a Media Capital), embora a operação avalie a Media Capital (incluindo dívida) em 205 milhões de euros. O grupo de Paulo Fernandes vai pagar 1,5406 euros por cada ação da Media Capital.

A dona do Correio da Manhã acredita que a aquisição da Media Capital representará sinergias de 46 milhões de euros.

O grupo Cofina detém, além do Correio da Manhã e do Record, a CMTV, o Jornal de Negócios, a revista Sábado, entre outros títulos. Por sua vez, a Media Capital conta com seis canais de televisão e a plataforma digital TVI Player. Além da TVI, canal generalista em sinal aberto, conta com a TVI24, TVI Reality, TVI Ficção, TVI Internacional e TVI África. A Media Capital tem também rádios, onde se inclui a Comercial.

 

 

 

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