Comissão de Trabalhadores da Lusa “estranha” que seja o novo presidente da RTP a “sugerir” o futuro da agência

Comissão de trabalhadores da Lusa entende que a agência de notícias e a RTP “são fundamentais para o exercício do jornalismo livre e é essencial que cada uma seja autónoma, com uma linha editorial própria, sem sinergias que as ponham irremediavelmente em causa”.

O atual presidente do conselho de administração da Lusa, Nicolau Santos, foi convidado a presidir o novo conselho de administração da RTP, no final de março. As propostas de Nicolau Santos para o futuro do canal público incluem a Lusa e isso está a incomodar a comissão de trabalhadores (CT) da Lusa, que não vê com bons olhos que seja o novo presidente da RTP a indicar o futuro da agência de notícias.

Depois de ter sido escolhido para integrar o novo board da RTP – juntamente com Hugo Andrade e um administrador financeiro ainda por anunciar, que terá de ter o aval do Governo – Nicolau Santos e Hugo Andrade propuseram um novo plano estratégico para a RTP, para o mandato 2021-2023. É esse documento que guiará a nova direção, sendo que uma das ideias propostas é a exploração de sinergias com a agência Lusa “na área da gestão de espaços e na colaboração editorial”.

Ora, “a CT da Lusa estranha que seja o novo presidente da RTP a sugerir o futuro da Lusa”, segundo um comunicado enviado esta terça-feira à redação. A comissão de trabalhadores da Lusa refere a agência “tem uma missão, identidade e uma cultura organizacional próprias distintas das da RTP”. e salienta que “a autonomia editorial da Lusa é inalienável”.

Por isso, os representantes dos trabalhadores da Lusa questionaram Nicolau Santos, que ainda é o presidente da agência de notícias, “sobre a pretensão de explorar sinergias entre RTP e Lusa na área da gestão de espaços e na colaboração editorial”. Em resposta, Nicolau Santos disse: “Significa isso mesmo, explorar sinergias na gestão de espaços e na colaboração editorial. Nada mais do que isso”.

Para a CT da Lusa, a explicação “suscita mais dúvidas que respostas” e, por isso, lamenta “a falta de esclarecimentos” numa altura em que “nunca como hoje foi tão importante a autonomia dos jornalistas para que a informação seja clara, rigorosa e verificável”.

“Ninguém pode admitir que se pense sacrificar a voz da única agência de informação portuguesa com presença mundial e que fornece todas as televisões portuguesas, especialmente as concorrentes da RTP, graças à sua presença nos países lusófonos e resto do mundo”, sublinha a comissão de trabalhadores.

“A Lusa e RTP são ambas agentes na missão de serviço público de jornalismo, mas são também fornecedor e cliente. Manter esta relação clara e distinta é fundamental também para a confiança, não só dos restantes clientes da agência, como dos cidadãos, pela independência e pluralidade da informação”, acrescenta a organização que representa os trabalhadores da Lusa.

Para a CT da Lusa, a agência de notícias e a estação de televisão pública, “lado a lado com tantas outras, são fundamentais para o exercício do jornalismo livre e é essencial que cada uma seja autónoma, com uma linha editorial própria, sem sinergias que as ponham irremediavelmente em causa”.

“Esperamos que tudo não passe de ‘rumores’ e ‘novelas’, mas ainda há pouco tempo foram estas as palavras com que Nicolau Santos classificou a sua possível ida para a RTP – quando questionado numa altura em que já decorria o processo de candidatura”, lê-se no comunicado.

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