Como financiar o jornalismo? Conheça as opiniões dos principais players do mercado

O financiamento dos meios de comunicação social esteve hoje em debate por jornalistas e gestores numa conferência organizada pelo Sindicato dos Jornalistas.

Na conferência financiamento dos media no painel “Modelos de negócio e de gestão: dificuldades e oportunidades”, o administrador do Jornal Económico, Luís Figueiredo Trindade, propôs, tal como outros especialistas, a criação de um “acordo de cavalheiros”, em que as notícias mais importantes publicadas no digital fossem fechadas e que todos os meios respeitassem esse acordo. “É fundamental haver um modelo de subscrição para respeitarmos os nossos jornalistas”.

“Queremos defender a independencia e a pluralidade. Não podemos deixar que a credibilidade seja posta em causa”, acrescenta Luís Figueiredo Trindade. Na sua intervenção, o gestor salientou ainda que “é adepto” do não financiamento do Estado aos órgãos de comunicação social, mas acredita que o mesmo deveria “ter um papel de conscencializar os cidadãos portugueses para terem o hábito de pagar pela informação”.

Afonso Camões, administrador da Global Media, sublinhou por sua vez o facto de o Google e o Facebook representarem a maior fatia de toda a publicidade digital. Para o administrador, o Estado deve apoiar o jornalismo. “O Estado pode ajudar e, desde logo, por via fiscal. É essencial que o montante gasto em compras de notícias a grupos de comunicação social passe a ser abatido aos impostos. As notícias são grátis em quase toda a parte. É um pecado capital”, diz.

Já Ricardo Costa, diretor geral de informação do grupo Impresa, “é pouco ou nada favorável” às ajudas do Estado aos órgãos de Comunicação Social. “Vejo com extremo cetisimo e desconfiança das ajudas diretas de funcionamento. A independencia jornalistica deve andar a par da independencia economica”, destacou.

Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI, começou por dizer que o jornalismo é um “pilar fundamental da democracia”. “O que verificamos é uma transferência colossal de recursos para as plataformas digitais. Entre 60 a 70% é captada pelo duópolio global, Facebook e Google. Os consumidores não são meros consumidores. São cidadãos e ninguém quer um mundo onde apenas uma elite acede a bom jornalismo”, refere.

Para Manuel Carvalho, diretor do jornal Público, o financiamento dos media entrou no debate público e é “preciso ir a jogo”. “Um financiamento direto [do Estado] é algo absolutamente indesejável. Temos de fechar os nossos conteúdos que sejam de valor de acrescentado para os nossos jornais. Temos de nos proteger todos uns aos outros, uma espécie de acordo de cavalheiros entre todos”.

António Carrapatoso, presidente do Conselho de Administração do Observador, realçou que a questão fundamental é conseguir um modelo inovador e sustentável. “É precisco inovar e criar produtos atrativos à sociedade. Levar a que as associações e os sindicatos do setor tenham regras claras e com capacidade permanente de renovação”.

Mafalda Anjos, publisher do grupo Trust in News, referiu que “apesar da enorme audiência digital, a maioria das receitas vai para os players globais, Google e Faceboo”. Para a publisher, ainda se está “por encontrar o caminho do futuro”. “É fundamental para o setor pensar num plano de apoio para os media. A informação livre é um dos pilares de uma democracia sólida”, conclui.

Recomendadas

Livro revela que Elon Musk tentou ser CEO da Apple, mas dono da Tesla desmente rumor

“Não quero ser CEO de nada”, escreveu o Elon Musk na rede social Twitter na passada sexta-feira.

Testes de ‘stress’ do BCE analisaram Novo Banco entre os 51 médios e pequenos bancos abrangidos

De acordo com os dados publicados pela instituição, o banco liderado por António Ramalho poderia, num cenário adverso, perder entre 600 e 899 pontos base e atingir um CET1 ‘fully loaded’, ou seja, tendo em conta futuras exigências de capital, abaixo de 8%.

Discotecas podem reabrir no domingo com regras da restauração, afirma associação

“Um estabelecimento que é considerado como discoteca tendo o CAE de bar, à imagem daquilo que os bares podem fazer, neste momento, que é estar abertos até às duas da manhã, com regras da restauração, sendo que estas regras da restauração não é obrigatoriedade de servir comida, mas sim têm a ver com distanciamento entre mesas, o número limitado de pessoas por mesa ou a exigência de certificado digital à porta durante o período de fim de semana, portanto estas regras da restauração aplicadas aos bares permitem também a discotecas com CAE de bar que o façam”, declarou o presidente da ADN.
Comentários