A Organização Mundial de Saúde (OMS) lamenta a intenção dos Estados Unidos de saírem da Organização, uma decisão que será apreciada esta segunda-feira pelo conselho consultivo da instituição na sua reunião ordinária de 2 de fevereiro e pela Assembleia Mundial da Saúde na sua reunião anual de maio de 2026. “Tomamos nota das declarações do governo dos Estados Unidos que afirmam que a OMS a “desprezou, manchou” e insultou, comprometendo a sua independência. O contrário é que é verdade. Tal como fazemos com todos os Estados-membros, procuramos sempre dialogar com os Estados Unidos de boa-fé, com pleno respeito pela sua soberania”, diz a OMS.
A decisão da administração Trump, formalizada através de uma ordem executiva logo após a sua tomada de posse, baseia-se em críticas ferozes à gestão da Organização. O presidente Donald Trump apontou o dedo à forma como a OMS lidou com a pandemia da Covid-19 e outras crises, citando uma “incapacidade de demonstrar independência” e um “falhanço” na implementação de reformas.
Outro ponto de discordância foi a nacionalidade da liderança: a administração norte-americana considera injusto que, em nove diretores-gerais desde 1948, nenhum tenha sido americano, apesar do peso financeiro e técnico que o país sempre aportou. No entanto, embora os EUA tenham cumprido o pré-aviso legal de um ano, recusaram pagar contribuições pendentes superiores a 260 milhões de dólares (221 milhões de euros).
“Infelizmente, as razões invocadas para a decisão dos Estados Unidos de se retirarem da OMS são falsas”, escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus numa publicação na rede social X (antigo Twitter), sublinhando que a OMS “sempre dialogou com os Estados Unidos, e com todos os Estados-membros, respeitando plenamente a sua soberania”. Também na mesma rede social, o secretário de Saúde norte-americano, Robert Kennedy Jr, afirmou que a OMS deveria ser responsabilizada “pelas mortes de americanos sozinhos em lares de idosos e pelas pequenas empresas destruídas por obrigações irresponsáveis”, como o uso de máscaras e a vacinação. “Estamos a recuperar a nossa independência, a proteger a segurança americana e a devolver a política de saúde pública dos Estados Unidos ao povo americano”, acrescentou o governante.
Para Tedros Adhanom Ghebreyesus essa declaração “contém informações imprecisas”. “Ao longo da pandemia, a OMS agiu rapidamente, partilhou todas as informações de que dispunha de forma rápida e transparente com o mundo e aconselhou os Estados-membros com base nos melhores dados disponíveis”, justificou o presidente. Além disso, referiu, “a OMS recomendou a utilização de máscaras, as vacinas e o distanciamento física, mas em nenhum momento recomendou o uso obrigatório de máscara, vacinação obrigatória ou confinamentos”.
Os EUA aderiram à OMS através de uma resolução conjunta de 1948, aprovada por ambas as câmaras do Congresso, que foi subsequentemente apoiada por todas as administrações. A administração Trump critica que países com populações superiores à dos Estados Unidos, como a China, paguem menos contribuições.
A perda do financiamento dos EUA poderá prejudicar numerosas iniciativas de saúde global, incluindo o esforço para erradicar a poliomielite, os programas de saúde materno-infantil e a investigação para identificar novas ameaças virais. De acordo com um estudo da revista científica The Lancet publicado em julho do ano passado, a decisão dos EUA deverá resultar em mais de 14 milhões de mortes prematuras até 2030.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com