Covid-19: BAD faz maior emissão de dívida de sempre para apoiar países africanos

O Banco Africano de Desenvolvimento fez hoje a maior emissão de dívida na sua história, no valor de três mil milhões de dólares, para angariar verbas para os países africanos.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) fez hoje a maior emissão de dívida na sua história, no valor de 3 mil milhões de dólares, para angariar verbas para os países africanos contra a pandemia de covid-19.

A dívida, emitida a três anos com um juro anual de 0,75%, e que recebeu ofertas dos investidores no valor de 4,6 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros), tem como objetivo “apoiar e financiar os países e os empresários a lutar contra a covid-19”, segundo o documento que acompanha a explicação da emissão de dívida.

Com esta emissão de dívida de 3 mil milhões de dólares, cerca de 2,7 mil milhões de euros, a maior da sua história, o BAD junta-se assim a um conjunto de outras instituições financeiras que estão a disponibilizar milhares de milhões de dólares para financiar a preparação dos estados, principalmente os mais frágeis, para o surto da covid-19 nos países africanos, tradicionalmente com sistemas de saúde mais necessitados e onde as medidas de isolamento social são mais difíceis de implementar.

“Através desta emissão, os investidores vão poder apoiar as comunidades africanas a ajudar a achatar a curva de propagação do vírus, ajudando também estes países a vencer os muitos desafios causadoz pelo surto”, lê-se no panfleto distribuído aos investidores sobre esta emissão, organizada pelo Bank of America, Crédit Agricole, Citi, Goldman Sachs e TD Securities.

“Foi bem recebido, sim”, confirmou um dos envolvidos no negócio, acrescentando que o facto de os fundos serem destinados a lidar com as consequências da pandemia motivou alguns investidores, mas, no geral, foram os clientes habituais do BAD que compraram os títulos.

“Estes emissores, no caso o BAD, têm normalmente boas motivações sociais e essa terá sido a principal razão para a subscrição”, disse o banqueiro.

O BAD, que tem um ‘rating’ de AAA, o mais elevado na escala das agências de notação financeira, é um dos vários bancos multilaterais que tem potenciado as verbas disponíveis para combater os efeitos económicos da pandemia de covid-19.

A Sociedade Financeira Internacional já emitiu um título de dívida no valor de mil milhões de dólares, que faz parte do pacote de 12 mil milhões de dólares avançado pelo Banco Mundial, e também hoje o Banco Interamericano de Desenvolvimento lançou uma emissão de títulos de dívida a cinco anos, que faz parte do pacote de 2 mil milhões de dólares “destinado a ajudar os países da América Latina e das Caraíbas a lidarem com os desafios colocados pela pandemia”, segundo o panfleto informativo enviado aos investidores.

Ler mais
Recomendadas

Governo cabo-verdiano quer banca a emprestar com juros inferiores a 1%

Parlamento cabo-verdiano aprovou por unanimidade, em sessão extraordinária, uma alteração ao estatuto orgânico do Banco de Cabo Verde, alargando os prazos limite para devolução dos empréstimos que concede à banca comercial, que passam dos atuais 12 meses para cinco anos.

Cabo Verde suspende mecanismo de fixação dos preços dos combustíveis

O arquipélago conta com seis casos confirmados de Covid-19, nas ilhas da Boa Vista e de Santiago (Praia), um dos quais acabou na morte de um turista inglês, de 62 anos.

INE de Cabo Verde passa recolher dados estatísticos por telefone

O instituto cabo-verdiano informa esta terça-feira que procurará assegurar, embora com “inevitáveis limitações do momento”, a produção regular de estatísticas, com o seu pessoal a trabalhar a partir dos respetivos domicílios.
Comentários