Escritor húngaro-britânico nascido no Canadá, David Szalay venceu o Booker Prize de ficção com o seu sexto romance, “Flesh”, um livro sobre sobre masculinidade, migração e poder.
“Flesh” é uma história pouco convencional de ascensão, da pobreza à riqueza. István, que parte de origens operárias na Hungria, luta como imigrante no Reino Unido e acaba por atingir enorme riqueza e estatuto na alta sociedade londrina. Nele o autor explora temas como masculinidade, classe, migração e poder. E que o júri considerou “contida, mas intensa”.
Começa na adolescência de István, o protagonista de 15 anos que vive com a mãe num discreto complexo de apartamentos na Hungria. Recém-chegado àquela localidade e de temperamento reservado, o jovem tem dificuldades em adaptar-se aos rituais sociais da escola e acaba por se isolar. A sua única companhia é a vizinha, uma mulher casada, com idade próxima da que tem a sua mãe, com quem inicia uma relação clandestina que mal compreende e, a partir daí, a sua vida entra numa espiral descontrolada.
“Nunca tínhamos lido nada parecido. É, em muitos aspetos, um livro sombrio, mas é um prazer lê-lo”, afirmou o escritor irlandês Roddy Doyle, o primeiro vencedor do Booker a presidir a um painel do júri, depois de ter explicado que todos os membros leram três vezes cada um dos seis finalistas e que sentiram que este “merecia ganhar pela sua singularidade”.
O autor reconheceu no discurso de aceitação do prémio que se trata de um livro e um título arriscados. E recordou o que a sua editora lhe disse: “não imagino um romance intitulado «Flesh» a ganhar o prémio”. A este propósito, David Szalay afirmou que “é muito importante correr riscos”, sobretudo na ficção, que é um género literário que, ao contrário de outros, se presta a isso. E que gosta sempre de voltar a um “sentido de risco”.
David Szalay sublinhou ainda que “não foi um livro fácil de escrever. Comecei-o depois de ter abandonado um outro e sentia uma grande pressão para escrever um bom livro, porque abandonar um depois de já ter abandonado outro seria uma grande carga emocional para mim”.
O júri do Booker Prize 2025 reuniu a escritora nigeriana Ayọ̀bámi Adébáyọ̀, a atriz, produtora e editora norte-americana Sarah Jessica Parker, o escritor britânico Chris Power, a autora norte-americana Kiley Reid e o escritor irlandês Roddy Doyle.
“Flesh” deixou para trás os restantes cinco finalistas: os americanos Susan Choi, com “Flashlight”, Katie Kitamura, com “Audition”, Ben Markovits, com “The Rest of our Lives”, a indiana Kiran Desai, com “The Loneliness of Sonia and Sunny”, e o britânico Andrew Miller, com “The Land in Winter”.
A obra vencedora não está editada em Portugal, embora David Szalay esteja traduzido para português. “Tudo o que um homem é” (2018) e “Turbulência” (2019) foram lançados em Portugal pela Elsinore. Os demais livros na corrida não estão estão disponíveis em português, mas todos os autores têm trabalhos traduzidos para a língua de Camões, com exceção de Susan Choi e Ben Markovits.
O Prémio Booker tem um valor monetário de 50 mil libras (57 mil euros) e deverá impulsionar o volume de vendas da obra. Em 2024, o vencedor do Booker foi “Orbital”, da escritora britânica Samantha Harvey.
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