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DBRS mantém rating da EDP em “BBB” com perspetiva estável

Embora a DBRS preveja um ligeiro aumento do endividamento até 2028 para financiar o plano de investimentos, a estratégia de rotação de ativos e a resiliência dos negócios de redes e renováveis sustentam a classificação de grau de investimento. 
13 Março 2026, 20h06

A Morningstar DBRS confirmou o rating da EDP – Energias de Portugal e da EDP Finance B.V. em “BBB” com tendência “Estável”, suportado pelo desempenho operacional robusto em 2025 e pela sólida geração de fluxo de caixa.

A decisão, segundo a agência, reflete o equilíbrio entre o sólido desempenho operacional da elétrica e os desafios financeiros impostos pelo seu ambicioso plano de expansão.

Embora a DBRS preveja um ligeiro aumento do endividamento até 2028 para financiar o plano de investimentos, a estratégia de rotação de ativos e a resiliência dos negócios de redes e renováveis sustentam a classificação de grau de investimento.

A confirmação do rating pela agência surge após um ano de 2025 em que a EDP superou as expectativas e projeções da DBRS. A elétrica apresentou métricas financeiras que agradaram à agência, com um fluxo de caixa sobre dívida de 18,7%, dívida sobre capital de 50,7% e cobertura de juros (EBITDA sobre juros) de 5,6 vezes. Estes indicadores conferem à empresa uma margem de manobra confortável dentro do escalão de investment grade.

O modelo de negócio da EDP destaca-se pela sua resiliência, assentando em dois pilares principais. As renováveis e a gestão de energia representam cerca de 70% do EBITDA, com 90% da produção proveniente de fontes limpas; nesse sentido, a empresa aumentou a sua capacidade renovável em 2,1 GW durante 2025. As centrais de ciclo combinado a gás também desempenharam um papel crucial para a estabilidade do sistema, especialmente após o apagão ibérico ocorrido em abril de 2026. Por outro lado, o segmento de redes, que contribui com cerca de 30% do EBITDA, assegura fluxos de caixa previsíveis e regulados através da distribuição em Portugal, Espanha e Brasil, ajudando a mitigar os riscos associados à volatilidade dos preços de mercado.

Para o período de 2026 a 2028, perspetiva-se crescimento, mas com alguma pressão financeira, defende a DBRS.

No entanto, e embora a EDP planeie gerar cerca de 12 mil milhões de euros em receitas com a sua estratégia de rotação de ativos, a Morningstar DBRS permanece cautelosa quanto à execução atempada destas alienações e incorpora um certo grau de atraso no seu cenário base.

A agência alerta para o impacto do ambicioso plano de investimentos de 12 mil milhões de euros, que deverá levar a um aumento da dívida bruta, dos 19,4 mil milhões de euros em 2026 para cerca de 21,3 mil milhões em 2028. Devido ao elevado Capex, o fluxo de caixa livre deverá continuar negativo, o que significa que a EDP gastará mais do que gera organicamente, dependendo de nova dívida e da execução da estratégia de rotação de ativos, diz a DBRS.

A EDP planeia encaixar aproximadamente 5 mil milhões de euros com a venda de ativos até 2028, embora a Morningstar DBRS mantenha uma postura cautelosa, apontando para o risco de eventuais atrasos na concretização dessas desinvestimentos.

Para o período 2026-28, a Morningstar DBRS espera que o perfil de resultados da EDP permaneça resiliente, sustentado pelo crescimento estável tanto nos seus negócios de redes reguladas como de geração renovável. O EBITDA ajustado deverá aumentar de cerca de 4,97 mil milhões de euros em 2026 para aproximadamente 5,1 mil milhões de euros em 2028, refletindo contribuições incrementais da expansão das carteiras eólica e solar, bem como retornos regulados constantes e previsíveis. O fluxo de caixa operacional deverá manter-se sólido, em aproximadamente 3,5 mil milhões de euros durante o período.


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