Depois de sentenciado a 30 dias de prisão, Navalny continua a ser incómodo para o Kremlin

Apesar da fraca popularidade interna, que abrange sobretudo os mais jovens, o envenenamento de Navalny catapultou-o para a atualidade global como a principal figura da oposição russa. Detido à chegada e sentenciado a 30 dias de prisão, é agora incerto como irá Putin lidar com o homem cujo nome se recusa a pronunciar.

EPA/ Sergei Ilnitsky

Depois de recuperar em Berlim do envenenamento com o agente químico Novichok, de fabrico russo, Alexei Navalny, o principal opositor do Kremlin no país, regressou a Moscovo esta segunda-feira, onde foi prontamente detido e submetido a uma audiência judicial improvisada numa esquadra, conforme o político transmitiu na sua conta na rede social Telegram.

Navalny descreveu a audiência como “do maior nível de ilegalidade”, pedindo aos seus apoiantes que protestem pelo seu futuro, depois de ter sido sentenciado a 30 dias de prisão. Isto significa que o líder do partido Rússia do Futuro permanecerá detido até à data do seu julgamento, marcado para o final de janeiro.

A detenção não foi surpreendente, dado que as autoridades russas haviam já avisado na semana anterior que o líder da oposição estava em violação da pena suspensa que lhe fora decretada em 2014 por fraude e branqueamento de capitais, um processo que o russo de 44 classifica como politicamente motivado.

Ainda assim, Navalny afirmou estar “feliz” naquele que foi “o melhor dia nos últimos cinco meses”. Após o anúncio do seu regresso, cerca de dois mil dos seus apoiantes dirigiram-se ao aeroporto Vnukovo, o principal de Moscovo, para saudarem a “extraordinária coragem” da figura que o Kremlin transformou de “um tavão intrometido num herói internacional”, como descreve o editorial do New York Times de domingo.

No entanto, as suas expectativas ficaram defraudadas quando o voo proveniente de Berlim foi desviado para o aeroporto secundário da capital russa, onde um forte aparato policial aguardava Navalny.

O futuro do maior opositor de Putin, que se recusa a referir-se a Navalny pelo nome, tem agora um futuro incerto, sendo possível que as autoridades russas busquem uma pena de prisão efetiva, embora vários analistas apontem em direções diferentes.

Por um lado, a prisão de Navalny confere-lhe um estatuto de quase mártir, levando a fortes apelos do Ocidente, sobretudo da União Europeia e dos EUA, a que o Kremlin não leve a cabo estas detenções políticas. Mas a sua popularidade interna é fraca, reunindo sobretudo o apoio das gerações mais jovens, o que facilita o rótulo de marioneta das democracias liberais ocidentais.

Por outro, ao deixar o dissidente em liberdade, Putin arrisca comunicar aos seus cidadãos que questionar a sua autoridade e a da sua administração não acarreta qualquer tipo de penalização, algo que o líder russo certamente não desejará. Além disso, a proximidade de eleições parlamentares faz antecipar que Navalny será uma fonte de incómodos para o Kremlin.

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