Desemprego em Portugal deverá disparar para perto de 9,5% em 2020, prevê a Comissão Europeia

“Muitos dos cortes de empregos serão provavelmente temporários, mas a expectativa de uma recuperação lenta dos serviços de turismo e atividades relacionadas irá provavelmente ter um impacto negativo na procura por emprego num período mais prolongado”, afirmou a Comissão Europeia.

A pandemia da Covid-19 vai provocar choques temporários e de médio prazo no mercado de trabalho em Portugal, afirmou a Comissão Europeia esta quarta-feira, prevendo que a taxa de desemprego suba para cerca de 9,5% este ano, de 6,5% em 2019, antes de recuar para perto de 7,5% em 2021.

“A queda repentina da atividade económica em março 2020 levou a um aumento significativo do desemprego
registros, apesar das medidas significativas anunciadas para apoio ao emprego”, referiu a Comissão Europeia, nas projeções económicas da primavera. “Muitos dos cortes de empregos serão provavelmente temporários, mas a expectativa de uma recuperação lenta dos serviços de turismo e atividades relacionadas irá provavelmente ter um impacto negativo na procura por emprego num período mais prolongado”.

A tendência de aumento do desemprego é transversal à União Europeia, adiantou. O surto da Covid-19 mudou completamente as perspectivas de produção da economia e dos mercados laborais, explicou.

“Sem as medidas tomadas pelos Estados-Membros para sustentar o emprego, a medidas de contenção desencadeadas pela pandemia poderiam afetar o emprego ainda mais que o PIB, pois os setores mais afetados são aqueles com maior intensidade de emprego e as maiores quotas de contratos temporários”, alertou. “Espera-se, contudo, que as medidas anunciadas amorteçam esses efeitos negativos e permitam que o emprego diminua de forma mais moderadamente que o PIB”.

Para o conjunto dos 27 membros da UE, a CE projecta que o emprego total desça 4,5% este ano,  com a taxa de desemprego a subir para 9%, de 6,7% em 2019, antes de recuar para 7,9% em 2021.

Na zona euro a 19 membros, Bruxelas espera taxas de desemprego de 9,6% e 8,6% em 2020 e 2021, respectivamente, depois dos 7,5% de 2019.

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