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Donald Trump diz que tem “obrigação” de processar a BBC

O diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a executiva líder da BBC News, Deborah Turness, renunciam depois de receberem críticas e ameaças da parte de Donald Trump acercar de um documentário sobre os acontecimentos do Capitólio em janeiro de 2021.
EPA/Yuri Gripas / ABACAPRESS.COM / POOL
12 Novembro 2025, 09h47

O diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a presidente-executiva da BBC News, Deborah Turness, renunciaram aos seus cargos depois de terem sido alvo de acusações de parcialidade. Especificamente, foram acusados de parcialidade na forma como foi editado um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Donald Trump disse esta semana que tem a “obrigação” de processar a BBC por deturpar os seus comentários sobre os ataques de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos Estados Unidos. “Bem, acho que tenho a obrigação de fazer isso”, disse Trump em entrevista à Fox News.

A equipa jurídica de Trump deu à BBC o prazo de até 14 de novembro para fazer uma “retratação completa e justa” do documentário editado, sob pena de levar a estação a tribunal com um processo em que pede uma indeminização de 1000 milhões de dólares. Um memorando interno da BBC afirma que o programa teria enganado o público ao juntar duas partes diferentes do discurso de Trump, feito em 6 de janeiro de 2021, dando a entender que o presidente estaria a incitar explicitamente a um ataque ao Capitólio após a derrota eleitoral para o democrata Joe Biden.

A diretora de notícias da BBC, Deborah Turness insistiu que a emissora “não é institucionalmente tendenciosa”, mas acabou por ceder à pressão e, no domingo passado, anunciou a sua renúncia juntamente com Tim Davie. As renúncias ocorreram depois de crescente pressão causada pela publicação, na semana passada, pelo jornal ‘The Telegraph’, do memorando escrito por Michael Prescott, ex-assessor independente do Comité de Padrões Editoriais da emissora.

O documento acusa a BBC de erros graves na cobertura sobre a guerra de Gaza — especialmente no serviço BBC Arabic, em árabe — de ‘desvios’ anti-Trump e anti-Israel, e de uma cobertura parcial sobre questões de identidade de género, entre outros “assuntos preocupantes”.

Na segunda-feira, o presidente da BBC, Samir Shah, reconheceu que houve um “erro de julgamento” na produção do documentário e que a edição do discurso transmitiu a impressão de um “chamamento direto à ação” e afirmou que a BBC gostaria de se desculpar por isso.

A carta enviada por Trump para a BBC, recebida no domingo, exige um pedido de desculpas e que a emissora “compense adequadamente” o presidente, acusando a BBC de fazer “declarações falsas, difamatórias, depreciativas, enganosas e inflamatórias” sobre o presidente. O advogado de Trump, Alejandro Brito, também acusou a emissora de difamação sob as leis do Estado da Flórida.

No discurso de Trump em 6 de janeiro de 2021, o então candidato derrotado dizia: “Vamos caminhar até o Capitólio e vamos apoiar os nossos valentes senadores e deputados.” No documentário transmitido peça BBC, dizia: “Vamos caminhar até o Capitólio… e eu estarei lá com vocês. E nós lutaremos. Lutaremos com todas as forças.” Os dois trechos que foram unidos estavam originalmente separados por mais de 50 minutos.

Em julho passado, a parceira norte-americana da BBC, a CBS News, e a sua principal acionista, a Paramount, chegaram a um acordo de 16 milhões de dólares como resultado de uma ação movida por Trump, que acusou a emissora de editar de forma enganosa uma entrevista com a então vice-presidente e candidata democrata Kamala Harris, antes das eleições de 2024.

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