“É uma situação terrível, desumana”. Marisa Matias visita campo de refugiados em Kara Tepe

Marisa Matias afirma que já chegaram mais de três mil pessoas a Kara Tepe e outras 6 mil estão por chegar. Neste campo de refugiados, as pessoas que testam positivo à Covid-19 são colocadas “em espaços rodeados de arame farpado onde não têm agua”, descreveu a eurodeputada.

Cristina Bernardo

A candidata presidencial Marisa Matias visitou esta sexta-feira Kara Tepe, na Grécia, que está a receber os refugiados vindos do campo de Moria, que sofreu com um incêndio na noite de oito de setembro.

“É uma situação terrível, desumana”, garantiu Marisa Matias num vídeo publicado na sua página no Facebook. “Está a receber as pessoas de Moria, depois do incêndio, é uma extensão imensa”, referiu a eurodeputada assinalando o elevado número de pessoas que passavam à sua volta.

“Aqui é a zona onde as pessoas veem buscar água porque isto é uma zona onde não tem agua, não tem eletricidade, não tem as condições mínimas, mas é onde as pessoas têm as tendas onde foram montadas pelas Nações Unidas e onde estão a ser registadas aqui à entrada”, descreveu Marisa Matias apontando para a chegada de “mais de 3 mil pessoas, ainda assim aqui dentro estão neste momento cerca de seis mil pessoas o que significa que ainda faltam outras 6 mil porque eram 12 mil que ficaram sem abrigo”.

Durante a visita Marisa Matias destacou que viu ” muitas vezes as pessoas a dormir nas ruas pessoas que estão a caminhar, a trazer as suas coisas”. “Há muitas crianças , há muitas pessoas desesperadas, obviamente as organizações não governamentais e as nações unidas estão a fazer tudo o que podem, mas as pessoas estão muito revoltadas e o problema é se este campo se vai converter num segundo campo de Moria”.

No campo de Kara Tepe as pessoas estão ser testadas à covid-19 e a eurodeputada explicou que os refugiados cujo teste é positivo são colocados “em espaços rodeados de arme farpado onde não têm agua, não têm casa de banho, não tem nada e obviamente não podem manter nenhum tipo de cuidado”.

“As pessoas que resistiram a vir para aqui foi porque não queriam ficar numa situação de prisão novamente. Agora estão a vir voluntariamente porque há muitos ataques da extrema direita e as pessoas acabam por dormir nas ruas ou nos cemitérios”, contou Marisa Matias lembrando que quem está a chegar a Kara Tepe está “há dez dias sem ter nenhum tipo de apoio”.

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