Economia com capacidade de financiamento de 0,1% do PIB em 2020

Em comparação com 2019, a capacidade de financiamento da economia portuguesa reduziu-se em 1,1 pontos percentuais, de acordo com os dados do Banco de Portugal divulgados esta quinta-feira.

A economia portuguesa apresentou uma capacidade de financiamento de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, menor do que em 2019, segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

Este resultado, de acordo com o BdP, reflete as capacidades de financiamento dos particulares e das sociedades financeiras (respetivamente de 5,9% e 2,2% do PIB), que, em conjunto, excederam ligeiramente as necessidades de financiamento das administrações públicas e das sociedades não financeiras (respetivamente de 5,7% e 2,3% do PIB).

Em comparação com 2019, a capacidade de financiamento da economia portuguesa reduziu-se em 1,1 pontos percentuais.

“Esta redução reflete, sobretudo, a descida do saldo das administrações públicas, em 5,8 pontos percentuais, e o aumento da capacidade de financiamento dos particulares em 4,4 pontos percentuais”, sinaliza.

Observou-se ainda, segundo o BdP, uma diminuição da capacidade de financiamento das sociedades financeiras em 0,2 pontos percentuais e uma redução da necessidade de financiamento das sociedades não financeiras em 0,5 pontos percentuais.

Em relação às interligações entre setores institucionais das contas nacionais financeiras, em 2020, segundo o BdP, destacam-se algumas relações financeiras entre os vários setores da economia e o exterior, entre as quais, o facto dos particulares terem financiado sobretudo as sociedades financeiras (em 5,0% do PIB), as quais, por sua vez, financiaram as administrações públicas e o resto do mundo (em 4,1% e 4,0% do PIB, respetivamente).

O resto do mundo financiou principalmente as sociedades não financeiras (em 2,7% do PIB).

O financiamento líquido das sociedades financeiras às administrações públicas aumentou 3,6 pontos percentuais, o que, segundo o BdP, contribuiu para fazer face à necessidade de financiamento das administrações públicas.

As sociedades não financeiras, por sua vez, apresentaram alterações no sentido dos fluxos de financiamento líquido, passando a ser financiadas pelos particulares e a financiar as administrações públicas.

No que respeita às posições em fim de período, sinaliza, os particulares e as sociedades financeiras evidenciaram um aumento dos ativos financeiros líquidos (respetivamente, mais 14,6 pontos percentuais e mais 2,8 pontos percentuais do PIB face ao final de 2019).

As administrações públicas e as sociedades não financeiras, por sua vez, registaram uma diminuição dos ativos financeiros líquidos (respetivamente, -11,8 pontos percentuais e -10,4 pontos percentuais do que no final de 2019).

“Estas evoluções refletem as transações e outras variações de volume e preço no período em análise, assim como o efeito da redução do PIB no rácio”, refere.

De acordo com os dados do BdP, a economia portuguesa apresentava, no final de 2020, uma posição financeira líquida face ao resto do mundo de -105,4% do PIB, que compara com -100,5% do PIB no final de 2019.

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