Empresa cabo-verdiana Emprofac sobe vendas para pico histórico

A administração da importadora e distribuidora de medicamentos pública recorda que 2020 seguiu o ritmo de crescimento nas vendas de anos anteriores, 10% em 2017, 14% em 2018 e 7,2% em 2019.

As vendas da empresa pública cabo-verdiana Emprofac, responsável pela importação e distribuição de medicamentos, dispararam 26,6% em 2020, para um máximo histórico de quase 2.540 milhões de escudos (22,9 milhões de euros), devido à pandemia.

“Com o boom da pandemia [de covid-19], as vendas extrapolaram para níveis nunca antes registados na empresa”, refere a administração da Emprofac no relatório e contas de 2020, a que a Lusa teve esta quarta-feira acesso.

No documento, a administração recorda que 2020 seguiu o ritmo de crescimento nas vendas de anos anteriores, 10% em 2017, 14% em 2018 e 7,2% em 2019.

“A prioridade [em 2020] foi assegurar o abastecimento do país, essencialmente de produtos para fazer face à covid-19, num período adverso e pleno de limitações logísticas”, acrescenta a administração, no documento.

Contudo, a Emprofac também reconhece que após aumentos nos lucros nos últimos exercícios, o de 2020 ficou marcado por um decréscimo, de 32,1% face a 2019, para 136,9 milhões de escudos (1,2 milhão de euros).

“Apesar do aumento das vendas em cerca de 27%, os resultados líquidos não acompanharam a mesma tendência. Esta situação encontra explicação no aumento considerável dos gastos do exercício, sobretudo os gastos com mercadorias vendidas, as perdas por ajustamentos de inventários e os outros gastos”, lê-se.

Nos exercícios anteriores, recorrendo aos dividendos na distribuição dos lucros, a administração da Emprofac distribuía o equivalente a um salário por cada um dos 60 trabalhadores, a “título de prémio de produtividade pelos resultados alcançados”.

“Em 2020, reconhecendo que o impacto da pandemia determinou resultados globais aquém do previsto, e atendendo que não haverá atualização salarial, conforme indicações do acionista, os administradores defendem uma proposta de distribuição do equivalente a 50% do salário mensal de cada colaborador. A proposta tem como suporte o reconhecimento do trabalho desenvolvido, a dedicação e esforços redobrados, visando dar resposta às necessidades específicas do contexto difícil e atípico vivido no ano e o incentivo ao alcance de melhores resultados, mesmo em continuidade da pandemia”, acrescenta o documento.

Detida a 100% por capitais públicos, a Emprofac, constituída em 1979 e que o Governo cabo-verdiano pretende privatizar, detém o monopólio na importação e distribuição de medicamentos, assegurando ainda em regime de concorrência a venda de reagentes, material de laboratório e dispositivos médicos, suplementos alimentares ou produtos cosméticos, entre outros.

“No domínio farmacêutico, a Emprofac desempenhou um papel importante no início da pandemia, na medida que foi o principal fornecedor de EPI [Equipamentos de Proteção Individual] e desinfetantes do mercado e parceiro do Governo”, afirma a administração.

Só em máscaras de proteção (cirúrgicas, FFP2 e comunitárias), as compras da Emprofac, incluindo de importação, ascenderam a 271.252.653 escudos (2,4 milhões de euros) em 2020.

Historicamente, o setor privado é o que com mais peso nas vendas da Emprofac, representando cerca de 70% das vendas globais, cabendo ao setor público, através das vendas aos hospitais, os restantes 30%.

“Porém, esse cenário viu-se um pouco alterado em 2020, tendo o setor público ganho muita expressão, traduzindo num aumento de 70% comparativamente ao ano anterior, equivalente a 395.153.480 escudos [3,5 milhões de euros] em valores absolutos. Daí que o peso das vendas ao setor público atingiu 37% e do setor privado 63%”, refere ainda o relatório e contas.

Já as vendas a farmácias aumentaram 5% face ao ano anterior, com a Emprofac a garantir o fornecimento de medicamentos e produtos não médicos, como equipamentos de proteção individual para a covid-19, às 37 farmácias de Cabo Verde.

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