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Engenharia de fachadas ainda tem espaço para crescer em Portugal

Especialistas debateram no Porto o futuro da engenharia de fachadas no primeiro congresso dedicado ao tema em Portugal. País necessita de encarar as fachadas dos edifícios de forma diferente.
Fotografia e legenda: Andy Yeung / NGTPOY
21 Novembro 2025, 19h00

A engenharia de fachadas em Portugal ainda tem muito espaço para crescer e melhorar o seu caminho, principalmente no que toca no olhar “para as fachadas como um todo”, como sublinha a partner da Buro Happold, Ana Araújo.

Durante o congresso de construção metálica mista, realizado pela CMM no Porto, no qual o JE foi media partner, esta especialista sublinhou a importância do país começar a olhar para as fachadas de forma diferente. Esta reflexão foi acompanhada pelo professor Nova School of Science and Technology, Daniel Aelenei, que salientou a capacidade de as “fachadas modernas e inovadoras coexistirem com espaços importantes e protegidos”.

Contudo o professor deixa o alerta de que é necessário avaliar o contexto antes de colocar uma fachada. “As fachadas podem ter personalidade, podem mudar completamente o contexto de um edifício, mas há um aspeto de realçar, uma fachada pode ser muito adequada num contexto, e a mesma fachada pode ser inapropriada noutro edifício. As fachadas não podem ser analisadas fora de contexto”.

A magia das fachadas nasce de quatro princípios “colaboração, independência, inovação e conhecimento e experiência”, revelou o arquiteto Miguel Angel Núñez, da ENAR.

IA: valorização do ser humano estará no “pensamento crítico”

A Inteligência Artificial (IA) continua a gerar grandes transformações nos setores, e o das fachadas não é diferente. Ana Araújo afirma que esta tecnologia vai “trazer a maior e mais rápida mudança que o ser humano está habituado, e vai acontecer nos próximos três ou 10 anos”.

A partner explicou que a IA “tenta reconhecer padrões”, e aponta que esta tecnologia já está presente na engenharia de fachadas, quer seja na análise geométrica, na visualização das fachadas, no aumento das capacidades técnicas, no controlo de qualidade mais eficiente, na associação de componentes de fachadas, no cálculo e na inspeção.

Para Ana Araújo, o ser humano vai continuar a ter um papel com esta transformação, mas “temos de começar a pensar em qual é o nosso papel e o da IA neste contexto para acelerar os processos”. A partner salienta ainda que a valorização da componente humana nesta nova realidade vai estar “no pensamento crítico”.

Como sabemos, esta tecnologia não traz só benesses, mas também acarreta os seus desafios. Para a engenharia de fachadas, Ana Araújo destaca a responsabilidade profissional como um desafio, salientando que “não podemos pensar que o ser humano vai ser sempre a opção preferida do cliente”. A este desafio juntam-se outros como a “proteção de dados do cliente e a necessidade de desenvolver uma política interna de IA”.

A partner da Buro Happold sublinha que “os clientes estão interessados nos resultados, não nos métodos tradicionais”.

Apesar de ainda ser incerto o potencial desta tecnologia, o professor da Nova School of Science and Technology, salienta que “de momento o que se pensa é que podemos tirar muito bom proveito das ferramentas, mas ainda há dúvidas sobre as potencialidades da IA”, contudo “precisamos muito da nossa inteligência natural para lidar com a IA”.

A IA não vem sozinha para este mundo, de acordo com o engenheiro da Martifer, Ricardo Ceia, a “realidade aumentada também é uma tecnologia que começa a entrar no mercado, apesar de ainda estar pouco desenvolvida”.


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