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Estreito de Ormuz: a “roleta russa” para os petroleiros

Qual o objetivo do Irão ao minar o Estreito de Ormuz? Interromper o fornecimento de matérias-primas, fazer aumentar o preço da energia, ou dissuadir os Estados Unidos de uma invasão terrestre. Podem ser todos, a realidade é que este método afundou mais navios na Segunda Guerra Mundial do que qualquer outro
@Pixabay
13 Março 2026, 10h05

A crescente tensão militar no Golfo Pérsico está a reacender um dos cenários mais temidos pelos mercados energéticos: a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz. Informações divulgadas por fontes de inteligência norte-americanas indicam que o Irão terá colocado várias minas marítimas em pontos estratégicos da rota, criando um risco permanente para navios petroleiros que tentem atravessar a zona.

“De acordo com dados citados por fontes próximas da administração dos Estados Unidos, Teerão terá instalado cerca de uma dezena de minas na hidrovia, um movimento que pode complicar a reabertura de uma das passagens marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito”, diz a Reuters.

Um gargalo vital da energia mundial

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irão e Omã, é considerado o principal “estrangulamento” energético do mundo. A hidrovia, que liga o Golfo Pérsico ao mar Arábico, tem apenas cerca de 33 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito, com canais de navegação muito limitados.

Por esta rota passa diariamente cerca de um quinto do petróleo e gás natural comercializado por via marítima no mundo, proveniente sobretudo da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque.

Qualquer perturbação nesta zona tem efeitos imediatos nos mercados energéticos globais, razão pela qual a simples ameaça de bloqueio costuma provocar aumentos significativos nos preços do crude. O que já está a acontecer.

Minas: uma arma barata com impacto estratégico

Segundo relatórios militares citados por vários meios de comunicação especializados, o Irão dispõe de milhares de minas navais e de diferentes métodos para as instalar, desde navios lança-minas a pequenas embarcações rápidas ou submarinos.

Sites especializados em defesa explicam que o tipo de mina marítima que o Irão está a utilizar é a Maham 1. Como explica o Eleconomista.es, “este dispositivo, que começou a ser comercializado na década de 1980, foi projetado para flutuar em águas com apenas um metro de profundidade”. A sua morfologia consiste em cinco pontas que ao impactarem o casco de uma embarcação no mar, podem detonar até 120 quilos de explosivos. Para manterem a estabilidade estas minas são ancoradas ao fundo do mar. A origem deste tipo de armamento remonta à China antiga.

Como explica o The Wall Street Journal, estas armas podem permanecer ancoradas no fundo do mar ou suspensas a determinada profundidade, detonando por contacto com o casco de um navio ou através de sensores magnéticos — a mina deteta o campo magnético que o barco produz ou então por som, quando a mina deteta o ruído do barco a passar ao lado. A infografia do Wall Street diz ainda que há minas de lapa, flutuantes, amarradas e de fundo do mar.

A simplicidade do sistema explica por que razão as minas marítimas continuam a ser consideradas uma das ameaças mais eficazes contra a navegação. Historicamente, este tipo de armamento foi responsável por afundar mais navios do que qualquer outro método naval durante a Segunda Guerra Mundial.

A lógica da dissuasão

Analistas de energia e segurança consideram que o objetivo de Teerão poderá não ser necessariamente destruir navios, mas criar incerteza suficiente para interromper o tráfego marítimo.

A simples possibilidade de explosões num corredor marítimo tão estreito transforma cada travessia numa aposta arriscada para armadores e seguradoras. O resultado imediato é uma queda abrupta no tráfego comercial e o bloqueio de facto da rota.

Nos últimos dias, companhias de navegação e seguradoras terão suspendido operações na zona, receando perdas milionárias caso um navio seja atingido.

Perante este cenário, a administração norte-americana estará a estudar a possibilidade de organizar escoltas navais para garantir a passagem de navios comerciais.

Uma operação deste tipo incluiria navios especializados em detecção de minas, equipados com sonar e veículos não tripulados capazes de localizar e neutralizar explosivos subaquáticos. A Marinha dos EUA tem investido nos últimos anos em sistemas robóticos concebidos precisamente para este tipo de missões.

Ainda assim, qualquer operação de desminagem num corredor tão estreito e congestionado pode revelar-se lenta e perigosa, prolongando a instabilidade na região.


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