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EUA: centros de dados podem representar 14% do uso de eletricidade até 2030

“O aumento da procura de energia nos Estados Unidos está a remodelar o panorama energético e a criar uma vasta gama de oportunidades de investimento”, salientam analistas do Capital Group.
23 Março 2026, 12h25

O uso de eletricidade pelo centros de dados (ou data centers na tradução inglesa), nos Estados Unidos, deve ter um aumento significativo, até 2030, pelas contas do Capital Group, que gere ativos no valor de 3,2 triliões de dólares (2,7 biliões de euros). Dados da Agência Internacional da Energia apontam para que o consumo de eletricidade destas infraestruturas mais do que dupliquem até 2030.

O Capital Group calcula que até 2030 o consumo de eletricidade, pelos centros de dados, no território norte-americano, deve passar dos atuais 4% para um intervalo entre os 9% e os 14%.

“O aumento da procura de energia nos Estados Unidos está a remodelar o panorama energético e a criar uma vasta gama de oportunidades de investimento. Após uma década de consumo estagnado, os fornecedores de energia estão a transformar-se em facilitadores do crescimento, à medida que os gigantes tecnológicos e outras empresas competem para garantir mais energia. Fundamental para tal é a rápida expansão dos data centers de inteligência artificial (IA), novas instalações de fabrico e redes de veículos elétricos”, salienta o Capital Group.

Esta subida do consumo elétrico dos centros de dados, no mercado norte-americano, vai de encontro ao projetado pela Gartner, mas ao nível global. A empresa dedicada ao setor tecnológico estima que a procura de eletricidade pelos data centers duplique até 2030 e que o consumo passe de 448  terawatts-hora (TWh) em 2025 para os 980 TWh em 2030.

Isto vai de encontro também aos dados da Agência Internacional da Energia (AIE).

Os dados da Agência Internacional de Energia (AIE), indicam que os centros de dados são responsáveis ​​por cerca de 1,5%, ou 415 terawatts-hora (TWh), do consumo total anual de eletricidade no mundo. “Este valor cresceu 12% ao ano nos últimos cinco anos e as projeções indicam que deverá mais do que duplicar, atingindo os 945 TWh até 2030, principalmente devido ao crescimento substancial da computação acelerada, que consome muita energia e é utilizada principalmente para fins de inteligência artificial”, refere a agência.

Na União Europeia a agência estima que o consumo de energia dos centros de dados em 2024 foi de 70 TWh, e prevê um “aumento significativo” nos próximos para cerca de 115 TWh até 2030, “em linha com a tendência global”.

EUA e China representam maioria da procura por eletricidade

Os dados da Gartner indicam que os Estados Unidos e a China representem mais de dois terços da procura de eletricidade dos centros de dados. A organização prevê que o consumo de eletricidade dos centros de dados nos Estados Unidos aumento de 4% para 7,8% do consumo regional entre 2025 e 2030, com a Europa a passar de 2,7% para 5%. “O crescimento na China e na região Ásia-Pacífico deverá ser mais moderado”, projeta a Gartner.

“Embora os servidores convencionais e a infraestrutura de suporte contribuam para o consumo total de eletricidade dos centros de dados, o rápido crescimento dos servidores otimizados para inteligência artificial (IA) está a impulsionar o aumento do consumo de energia nestes data centers. O consumo de eletricidade destes servidores deverá aumentar quase cinco vezes, passando de 93 TWh em 2025 para 432 TWh em 2030”, disse a diretora de investigação da Gartner, Linglan Wang.

A Gartner salienta que em 2025 os servidores otimizados para IA representaram 21% do consumo total de energia dos centros de dados e que este valor suba para os 44% em 2030. “Em 2030, representarão 64% do aumento da procura de energia dos centros de dados”, refere a empresa.

Gás natural deve continuar a ser principal fonte de energia dos centros de dados

O vice-presidente de análise da Gartner, Tony Harvey, considera que no curto prazo o gás natural “continuará a ser” a principal fonte de energia para os data centers, contudo outras fontes de energia devem dar o seu contributo ao longo do tempo.

“Nos próximos três a cinco anos, prevemos um rápido crescimento dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para equilibrar as flutuações da energia solar e eólica. Embora as micro-redes geotérmicas sejam muito promissoras, os seus elevados custos iniciais e os desafios de licenciamento irão provavelmente mantê-las como uma opção de nicho por enquanto”, explicou Tony Harvey.

A Comissão Europeia salienta que os países da União Europeia “estão a trabalhar para atingir uma meta ambiciosa de eficiência energética, que visa reduzir” o consumo final de energia em pelo menos 11,7% até 2030, em comparação com as projeções de 2020 para o consumo de energia em 2030. “A nível internacional, a União Europeia tem desempenhado um papel fundamental na promoção do compromisso global de duplicar a taxa de melhoria da eficiência energética em todo o mundo, de cerca de 2% para mais de 4% até 2030, juntamente com a triplicação da capacidade instalada mundial de fontes de energia renovável”, refere a instituição europeia.


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