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Euribor a 6 meses ganha terreno

A Euribor a 6 meses está a ganhar destaque nos novos créditos à habitação em Portugal, refletindo a estratégia das famílias perante a expectativa de descida das taxas de juro.
13 Março 2026, 10h38

As famílias portuguesas estão a mudar silenciosamente a forma como indexam os novos créditos à habitação: a Euribor a 6 meses está a tornar-se a nova referência dominante, retirando espaço às opções tradicionais a 3 e 12 meses conclusão retirada da mais recente análise de mercado de crédito à habitação do ComparaJá referente a março de 2026.

Os dados do relatório mostram uma transformação dentro do próprio universo da taxa variável. A preferência dos novos mutuários está a concentrar-se cada vez mais na Euribor a seis meses, em detrimento dos restantes prazos.

Esta tendência reflete um comportamento mais estratégico por parte das famílias, que procuram um equilíbrio entre revisões demasiado frequentes da prestação e uma atualização demasiado lenta da taxa.

Na prática, optar pela Euribor a seis meses significa que a prestação é revista duas vezes por ano, permitindo beneficiar mais rapidamente de eventuais descidas das taxas diretoras do Banco Central Europeu, sem a volatilidade de uma revisão trimestral ou a demora de uma atualização anual.

Num contexto em que o mercado antecipa cortes graduais das taxas de juro ao longo de 2026, a rapidez com que essas descidas chegam à prestação mensal torna-se um fator cada vez mais relevante na decisão das famílias.

De acordo com a análise de mercado, a fatia de novos contratos indexados à Euribor a 6 meses tem vindo a crescer de forma consistente nos últimos meses, acompanhando o arrefecimento da fase mais intensa de subida das taxas de juro e um maior apetite ao risco por parte dos mutuários.

Fonte: ComparaJá 

Em paralelo, observa-se um recuo da Euribor a 12 meses, historicamente associada a maior estabilidade da prestação, bem como uma estabilização ou ligeira perda de peso da Euribor a 3 meses.

Esta deslocação para o prazo semestral pode indicar uma maior literacia financeira e atenção ao comportamento das taxas de juro por parte dos consumidores. Ainda assim, é importante referir que esta opção também tem riscos: se o cenário de descida dos juros se inverter, a revisão semestral pode acelerar o impacto de novas subidas nas prestações.

Mesmo assim, a consolidação da Euribor a 6 meses como principal referência nos novos contratos surge como um dos sinais mais claros de ajustamento do mercado de crédito à habitação português após o ciclo de forte subida de juros iniciado em 2023.

 


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