Exportações de Cabo Verde vão tombar 40% este ano, estima banco central

O ‘stock’ das reservas internacionais líquidas do país também deverá reduzir, em consequência, dos 72.913 para 63.556 milhões de escudos, passando a garantir, ainda assim, devido à queda projectada das importações, cerca de sete meses das importações de bens e serviços projetadas para 2020.

O Banco de Cabo Verde (BCV) prevê que as exportações de bens e serviços deverão registar uma redução superior a 40% em 2020, depois de terem crescido 10% no ano passado.

De acordo com relatório de política monetária o BCV, o confinamento da população, decretado quase que universalmente nos maiores mercados turísticos, e a interdição de tráfego internacional aéreo e marítimo de passageiros, determinada pelo País, mesmo antes da declaração do estado de emergência a nível nacional, deverão resultar numa forte redução das receitas de viagens.

O documento do banco central cabo-verdiano avança ainda que verificar-se-á uma redução dos serviços de transportes aéreos internacionais (venda de passagens pela transportadora aérea nacional e receitas da FIR Oceânica do Sal) e das reexportações de víveres e combustíveis nos portos e aeroportos do país.

Por seu turno, afirma o BCV, a par da redução da procura externa e do investimento estrangeiro no país, as restrições impostas ao funcionamento da economia pela declaração de estado de emergência, a interdição de viagens de negócio e lazer de residentes no País ao estrangeiro, e a redução dos preços do petróleo nos mercados internacionais, deverão contribuir para a diminuição das importações de bens e serviços na ordem dos 20%, atenuando a deterioração da procura externa líquida.

O relatório destaca que a formação bruta de capital deverá ser penalizada pela conjuntura de restrição à laboração, enquanto durar o estado de emergência, pelas incertezas face à evolução da pandemia a nível nacional e internacional e pela consequente deterioração do sentimento económico. “Neste quadro, as expectativas do cenário central das actuais projecções convergem para uma contracção do investimento, em volume, em pelo menos 7,5 %”, lê-se no relatório.

Entretanto, acrescenta o mesmo documento, o cenário central das projecções internaliza um “impacto positivo” das medidas “orçamentais, monetárias e prudenciais” na “evolução do consumo intermédio das empresas e final das administrações públicas e famílias”.

“Perspetiva-se, assim, que as medidas de protecção do emprego, de compensação dos desempregados e de apoio aos trabalhadores informais, aliadas a algum recurso a poupanças, poderão conter a queda do consumo privado, sobretudo de bens de primeira necessidade e medicamentos, por motivos precaucionais”, projecta o BCV.

Segundo o banco central, considerando a política contra-cíclica anunciada, o consumo público deverá acelerar, pese embora algum ajustamento das despesas não obrigatórias do governo central.

Do lado da oferta, adianta o relatório, os contributos negativos dos serviços, na ordem dos 5 pontos percentuais (p.p), e da construção, na ordem dos 2 p.p, explicam, em larga medida, a contracção da actividade económica nacional.

No setor dos serviços, de acordo com o documento, perspectiva-se que a queda dos valores acrescentados brutos de alojamento e restauração e de transportes, superior a 40 %, será parcialmente compensada por um aumento significativo do valor acrescentado bruto dos serviços não mercantis da administração pública.

As projeções indicam que todos os ramos de atividade deverão ser afectados, em maior ou menor magnitude, pelo choque exógeno, com excepção da agricultura e da pesca, este último deverá recuperar da contracção de 23 % registada em 2019, caso o cenário de controlo da pandemia de Covid-19 nos principais mercados do país no terceiro trimestre se materializar.

A balança de pagamentos, acrescenta o banco central, deverá registar um desempenho desfavorável em 2020. “O défice da balança corrente deverá aumentar, no cenário central das actuais projecções do banco central, para cerca de 11 % do PIB, depois de ter atingido o valor mínimo histórico de 0,2 % do PIB em 2019, reflexo, sobretudo, da redução das exportações de bens e serviços e das remessas dos emigrantes”, aponta.

Na balança financeira, projecta-se uma redução dos influxos de investimento directo estrangeiro na ordem dos 45 %, em resultado do esperado adiamento e atraso na execução de projectos em vias de arranque e em curso, aos quais se acresce a liquidação de 75 % do valor de aquisição, pelo Estado, das acções de um banco nacional, antes detidas por um investidor externo.

O stock das reservas internacionais líquidas do país, segundo o BCV, também deverá reduzir, em consequência, dos 72.913 para 63.556 milhões de escudos, passando a garantir, ainda assim, devido à queda projectada das importações, cerca de sete meses das importações de bens e serviços projetadas para 2020.

“As projeções das contas externas assumem a mobilização de recursos externos por parte do Governo, sob a forma de donativos e empréstimos concessionais, para o financiamento de boa parte do gap do Orçamento do Estado, reprogramado para 2020”, acrescenta o relatório, que avança ainda que o cenário central das projecções aponta que a taxa de inflação média anual deverá fixar-se nos 0,9 por cento, os activos externos líquidos deverão contrair 15 % e o crédito à economia poderá aumentar 4,7 %.

No entanto, o BCV lembra que as actuais projecções foram realizadas num quadro de incertezas sobre a evolução do enquadramento externo e do contexto sanitário e macroeconómico interno sem paralelo.

“O cenário central baseia-se, em larga medida, no pressuposto do controle da pandemia de Covid-19 no decurso do segundo trimestre, numa recuperação gradual da economia dos principais parceiros e da actividade económica nacional a partir do terceiro trimestre, assim como na descoberta de uma terapêutica para a doença nos próximos meses”, refere o BCV, acrescentando que, neste quadro, a distribuição dos riscos à materialização do cenário central das actuais projecções está enviesada negativamente.

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