A indústria dos seguros de saúde vai ter de renegociar o seu processo de financiamento para que a população possa ter acesso a um seguro de saúde. A mensagem é transmitida por Ricardo Raminhos, administrador executivo da MGEN, no ‘Seguros Summit 2025’, organizado pelo Jornal Económico e que decorre no Altis Belém, esta terça-feira.
“Temos que reconhecer que nos próximos tempos vamos ter mais pressão sobre seguros de saúde e financiadores. É preciso renegociar o processo de financiamento para não deixarmos ninguém sem seguro de saúde”, referiu, no painel dedicado ao tema ‘Desafio da demografia e saúde. Viver mais e melhor’, alertando que as seguradoras precisam de cooperar entre si, algo que atualmente não acontece, nem elas estão preparadas para dar esse passo.
“O investimento na prevenção é feito hoje e vai ter um reflexo daqui a 20 anos. Esta é uma pirâmide invertida que não vai ser revertida, mas tem de ser atenuada. Sem cooperação, coordenação e estratégia não chegamos lá”, afirma.
O responsável assume que é inevitável que mais seguradoras venham a absorver aquilo que hoje não é financiado, dando o exemplo de que a partir dos 65 anos, em média cada português tem uma doença crónica.
“Tudo isto tem custos associados. Temos que reconverter o financiamento. A partir dos 65 anos, gastamos 70% daquilo que gastamos ao longo da vida”, salientou.
Presente neste painel esteve também José Pedro Inácio, CEO da AdvanceCare, que partilhou a ideia de que só é possível ter contas sustentáveis, se trabalharmos na prevenção.
“Os custos vão ter de aumentar se nada for feito de forma diferente. Se pensarmos num jovem entre os 10 e 25 anos e numa pessoa de 30 a 50 anos, esse custo é quase o dobro, e a partir dos 70 torna a duplicar”, referiu.
Contudo, o CEO defendeu que a prevenção não passa só por garantir que a pessoa mantém uma vida saudável. “É preciso atuar mais cedo na prevenção da saúde, mais cedo quando estamos saudáveis e sermos mais eficazes nos tratamentos”, afirmou.
José Pedro Inácio realçou que não é só Portugal que tem problemas com a saúde, é um problema europeu, americano. “Os desafios são mundiais, estamos todos a descobrir como vamos manter este equilíbrio de custos”, salientou, acrescentando que no caso de Portugal é necessário investir na literacia sobre a saúde, “utilizando a tecnologia e inovação”.
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