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Financiamento tem de ser renegociado para não deixar ninguém sem seguro de saúde, diz administrador da MGEN

Ricardo Raminhos defende uma cooperação entre as seguradoras, que ainda não existe, mas que vai ser necessária, dado que nos próximos tempos “vamos ter mais pressão sobre os seguros de saúde”. CEO da Advancecare diz que a única forma de tornar as contas sustentáveis é trabalhar na prevenção enquanto as pessoas são saudáveis.
4 Novembro 2025, 10h52

A indústria dos seguros de saúde vai ter de renegociar o seu processo de financiamento para que a população possa ter acesso a um seguro de saúde. A mensagem é transmitida por Ricardo Raminhos, administrador executivo da MGEN, no ‘Seguros Summit 2025’, organizado pelo Jornal Económico e que decorre no Altis Belém, esta terça-feira.

“Temos que reconhecer que nos próximos tempos vamos ter mais pressão sobre seguros de saúde e financiadores. É preciso renegociar o processo de financiamento para não deixarmos ninguém sem seguro de saúde”, referiu, no painel dedicado ao tema ‘Desafio da demografia e saúde. Viver mais e melhor’, alertando que as seguradoras precisam de cooperar entre si, algo que atualmente não acontece, nem elas estão preparadas para dar esse passo.

“O investimento na prevenção é feito hoje e vai ter um reflexo daqui a 20 anos. Esta é uma pirâmide invertida que não vai ser revertida, mas tem de ser atenuada. Sem cooperação, coordenação e estratégia não chegamos lá”, afirma.

O responsável assume que é inevitável que mais seguradoras venham a absorver aquilo que hoje não é financiado, dando o exemplo de que a partir dos 65 anos, em média cada português tem uma doença crónica.

“Tudo isto tem custos associados. Temos que reconverter o financiamento. A partir dos 65 anos, gastamos 70% daquilo que gastamos ao longo da vida”, salientou.

Presente neste painel esteve também José Pedro Inácio, CEO da AdvanceCare, que partilhou a ideia de que só é possível ter contas sustentáveis, se trabalharmos na prevenção.

“Os custos vão ter de aumentar se nada for feito de forma diferente. Se pensarmos num jovem entre os 10 e 25 anos e numa pessoa de 30 a 50 anos, esse custo é quase o dobro, e a partir dos 70 torna a duplicar”, referiu.

Contudo, o CEO defendeu que a prevenção não passa só por garantir que a pessoa mantém uma vida saudável. “É preciso atuar mais cedo na prevenção da saúde, mais cedo quando estamos saudáveis e sermos mais eficazes nos tratamentos”, afirmou.

José Pedro Inácio realçou que não é só Portugal que tem problemas com a saúde, é um problema europeu, americano. “Os desafios são mundiais, estamos todos a descobrir como vamos manter este equilíbrio de custos”, salientou, acrescentando que no caso de Portugal é necessário investir na literacia sobre a saúde, “utilizando a tecnologia e inovação”.


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