FMI enaltece acordo de restruturação da dívida da Argentina

A líder do FMI desejou ainda uma “conclusão bem sucedida” a um processo que envolve o país sul-americano e três grupos de credores privados – o Grupo Ad Hoc de Credores Argentinos, o Comité de Credores da Argentina e o Grupo de Credores.

Argentina

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, enalteceu hoje o acordo entre a Argentina e os principais credores para reestruturar a dívida de 66.238 milhões de dólares, que mantém o país em ‘default’ desde 22 de abril.

“Parabéns ao Presidente [da Argentina], Alberto Fernández, e ao ministro [da Economia], Martín Guzmán, e aos principais credores argentinos por chegarem a um acordo de princípio sobre a dívida do país. É um passo muito significativo”, afirmou Georgieva, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

A líder do FMI desejou ainda uma “conclusão bem sucedida” a um processo que envolve o país sul-americano e três grupos de credores privados – o Grupo Ad Hoc de Credores Argentinos, o Comité de Credores da Argentina e o Grupo de Credores.

Após meses de negociações, com propostas e contrapropostas, o Ministério da Economia da Argentina informou hoje, em comunicado, que as partes alcançaram um acordo que vai permitir um “alívio significativo da dívida” ao país.

O Governo argentino esclareceu ainda que o acordo vai permitir o ajuste de algumas datas de pagamento contempladas nos novos títulos, que vão substituir a dívida que se encontra em ‘default’.

Os títulos de dívida sujeitos a restruturação, emitidos em 2005 e 2010 e a partir de 2016, vão ser trocados por títulos em dólares e euros, com vencimentos em 2029, 2030 e 2038.

O Governo argentino fez a sua quarta oferta aos credores no dia 06 de julho, depois de três fracassos iniciais de acordo.

A Argentina afirmou que reconheceria 53,50 dólares de cada 100 dólares de dívida, mas os credores avançaram com uma contraproposta mínima de 56,50 dólares, antes de se chegar ao valor acordado de 54,80 dólares.

Com o acordo, o país sul-americano vai sair do seu nono ‘default’ na história e terá um balão de oxigénio para enfrentar o pós-pandemia, mas os desafios do país são ainda gigantes, segundo analistas.

“Mesmo com a questão da dívida resolvida, a Argentina fica malparada para contrair novos créditos e para receber novos investimentos. A tarefa será ainda titânica”, explicou à Lusa o analista económico Marcelo Elizondo.

Além da dívida externa, a Argentina procura também chegar a acordo com o FMI, para finalizar o pagamento do empréstimo de 44.000 milhões de dólares fornecido pela agência desde 208

Ler mais
Recomendadas

Pandemia e invasão do Capitólio levam a uma investidura invulgar

Contrastando com a habitual celebração que envolve a tomada de posse de um novo presidente nos EUA, a crise pandémica e a violência vista na capital há menos de duas semanas mudaram a tónica do evento deste ano. Ruas desertas, tropas armadas e vedações com arame farpado constituem o cenário da investidura do 46º presidente.

Depois de sentenciado a 30 dias de prisão, Navalny continua a ser incómodo para o Kremlin

Apesar da fraca popularidade interna, que abrange sobretudo os mais jovens, o envenenamento de Navalny catapultou-o para a atualidade global como a principal figura da oposição russa. Detido à chegada e sentenciado a 30 dias de prisão, é agora incerto como irá Putin lidar com o homem cujo nome se recusa a pronunciar.

Joe Biden: o 46º improvável presidente dos Estados Unidos

A primeira vez que imaginou ser presidente dos Estados Unidos foi em 1987. Não correu bem. À segunda tentativa, as coisas também começaram mal, mas o certo é que o senador de Delaware vai assumir a presidência dos Estados Unidos.
Comentários