O petróleo está a valorizar esta quinta-feira. O brent sobe 2,46% para os 69,03 dólares enquanto que o crude negoceia com uma valorização de 2,61% para os 64,86 dólares.
O motivo desta valorização na matéria-prima (ou commoditie na tradução inglesa) está relacionado com os receios de uma intervenção militar norte-americana no Irão, quer a provocada pelos protestos que se fazem sentir no país, como pelo desejo dos Estados Unidos de que o Irão acabe com o seu programa nuclear.
Na semana passada o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já tinha alertado para a instabilidade social vivida no Irão. O governante afirmou que os Estados Unidos “estavam de olho” no Irão, confirmando que as forças norte-americanas tinham muitos navios a ir em direção ao Irão “por precaução”. Este alerta deveu-se às milhares de mortes provocados pelos protestos que têm existido no Irão desde o final do ano de 2025, que a Agência de Notícias de Ativistas de Diretos Humanos coloca em cinco mil. Em declarações à CNBC, na passada quarta-feira, Donald Trump, referiu que o regime iraniano ia “enforcar 837 pessoas”. O governante norte-americano disse que transmitiu ao Irão que eles “não podem fazer isso. Se fizerem isso, vai ser mau”.
Estes receios de aumento da tensão, entre norte-americanos e iranianos, levou a os futuros do petróleo já ultrapassassem, nesta quinta-feira, os 70 dólares, o que representa um máximo de quatro meses. Ou seja desde setembro de 2025 que o preço não atingia os valores mencionados.
“A preocupação imediata (do mercado)… são os danos colaterais causados no caso de o Irão atacar os seus vizinhos ou, possivelmente ainda mais revelador, fechar o Estreito de Ormuz aos 20 milhões de barris de petróleo que ali transitam diariamente”, disse o analista da PVM, John Evans, citado pela agência noticiosa Reuters.
“A localização do Irão é estrategicamente muito importante quando consideramos vias navegáveis críticas como o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o petróleo, e já vimos o Irão e grupos apoiados pelo Irão atacarem petroleiros e infraestruturas críticas no Golfo”, defendeu a responsável global de estratégia de matérias-primas da RBC Capital Markets, Helima Croft.
Uma nota do Citibank, transcrita pela Reuters, refere que o “potencial de um ataque ao Irão elevou o prémio geopolítico dos preços do petróleo em potencialmente três a quatro dólares (por barril)”.
Helima Croft, citada pela CNBC, considera que os mercados petrolíferos “estão a mover-se por medo”, acrescentando que a preocupação está basicamente ligada “à interrupção das operações”. A responsável de estratégia de matérias-primas da RBC Capital Markets defendeu também que se existir um confronto entre os Estados Unidos e o Irão que leve à perda das exportações de petróleo iraniano, “a OPEP simplesmente não terá muitos recursos para cobrir essa perda”.
De acordo com dados da Kpler, transcritos pela CNBC, o Irão produz cerca de 3,4 milhões de barris por dia ficando abaixo da produção norte-americano e da da Arábia Saudita que se cifram em 13,5 milhões de barris e 9,5 milhões de barris, de acordo com o Departamento de Energia norte-americano e a OPEC.
A subida verifica no petróleo esta quinta-feira vem confirmar a valorização que a matéria-prima tem sofrido no espaço de um mês. Nesse período temporal o preço do brent já subiu 14% enquanto que o do crude já valorizou 11%. Contudo no último ano acumula-se perdas de 7% e de 10% no brent e no crude.
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