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Futuros do petróleo atingem máximo de quatro meses com receios de intervenção dos EUA no Irão

“A preocupação imediata (do mercado)… são os danos colaterais causados ​​no caso de o Irão atacar os seus vizinhos ou, possivelmente ainda mais revelador, fechar o Estreito de Ormuz aos 20 milhões de barris de petróleo que ali transitam diariamente”, disse o analista da PVM, John Evans, citado pela agência noticiosa Reuters.
29 Janeiro 2026, 12h25

O petróleo está a valorizar esta quinta-feira. O brent sobe 2,46% para os 69,03 dólares enquanto que o crude negoceia com uma valorização de 2,61% para os 64,86 dólares.

O motivo desta valorização na matéria-prima (ou commoditie na tradução inglesa) está relacionado com os receios de uma intervenção militar norte-americana no Irão, quer a provocada pelos protestos que se fazem sentir no país, como pelo desejo dos Estados Unidos de que o Irão acabe com o seu programa nuclear.

Na semana passada o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já tinha alertado para a instabilidade social vivida no Irão. O governante afirmou que os Estados Unidos “estavam de olho” no Irão, confirmando que as forças norte-americanas tinham muitos navios a ir em direção ao Irão “por precaução”. Este alerta deveu-se às milhares de mortes provocados pelos protestos que têm existido no Irão desde o final do ano de 2025, que a Agência de Notícias de Ativistas de Diretos Humanos coloca em cinco mil. Em declarações à CNBC, na passada quarta-feira, Donald Trump, referiu que o regime iraniano ia “enforcar 837 pessoas”. O governante norte-americano disse que transmitiu ao Irão que eles “não podem fazer isso. Se fizerem isso, vai ser mau”.

Futuros do petróleo atingem máximo de quatro meses

Estes receios de aumento da tensão, entre norte-americanos e iranianos, levou a os futuros do petróleo já ultrapassassem, nesta quinta-feira, os 70 dólares, o que representa um máximo de quatro meses. Ou seja desde setembro de 2025 que o preço não atingia os valores mencionados.

“A preocupação imediata (do mercado)… são os danos colaterais causados ​​no caso de o Irão atacar os seus vizinhos ou, possivelmente ainda mais revelador, fechar o Estreito de Ormuz aos 20 milhões de barris de petróleo que ali transitam diariamente”, disse o analista da PVM, John Evans, citado pela agência noticiosa Reuters.

“A localização do Irão é estrategicamente muito importante quando consideramos vias navegáveis ​​críticas como o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o petróleo, e já vimos o Irão e grupos apoiados pelo Irão atacarem petroleiros e infraestruturas críticas no Golfo”, defendeu a responsável global de estratégia de matérias-primas da RBC Capital Markets, Helima Croft.

Uma nota do Citibank, transcrita pela Reuters, refere que o “potencial de um ataque ao Irão elevou o prémio geopolítico dos preços do petróleo em potencialmente três a quatro dólares (por barril)”.

Helima Croft, citada pela CNBC, considera que os mercados petrolíferos “estão a mover-se por medo”, acrescentando que a preocupação está basicamente ligada “à interrupção das operações”. A responsável de estratégia de matérias-primas da RBC Capital Markets defendeu também que se existir um confronto entre os Estados Unidos e o Irão que leve à perda das exportações de petróleo iraniano, “a OPEP simplesmente não terá muitos recursos para cobrir essa perda”.

Irão produz mais de três milhões de barris

De acordo com dados da Kpler, transcritos pela CNBC, o Irão produz cerca de 3,4 milhões de barris por dia ficando abaixo da produção norte-americano e da da Arábia Saudita que se cifram em 13,5 milhões de barris e 9,5 milhões de barris, de acordo com o Departamento de Energia norte-americano e a OPEC.

Petróleo já subiu mais de 10% num mês

A subida verifica no petróleo esta quinta-feira vem confirmar a valorização que a matéria-prima tem sofrido no espaço de um mês. Nesse período temporal o preço do brent já subiu 14% enquanto que o do crude já valorizou 11%. Contudo no último ano acumula-se perdas de 7% e de 10% no brent e no crude.


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