G30 pedem apoios pandémicos direcionados face a preocupações com solvabilidade das empresas

As preocupações com possíveis problemas generalizados de solvabilidade em parte das empresas apoiadas durante a crise pandémica da Covid-19 levaram o Grupo dos Trinta a emitir uma série de sugestões para avaliações a serem feitas para a determinação da alocação dos recursos a disponibilizar.

Itália | EPA/MASSIMO PERCOSSI

Os mecanismos de apoio à economia face à situação pandémica poderão estar a ocultar um problema de solvabilidade nos tecidos empresariais dos países, conforme indica um relatório da Oliver Wyman encomendado pelo Grupo dos Trinta, vulgo G30. O documento incentiva os governos nacionais a direcionarem os apoios a sectores viáveis no pós-Covid, por oposição às medidas generalizadas amplamente tomadas até agora.

O relatório expõe as preocupações do grupo com a alocação dos fundos agora disponibilizados, que têm sido distribuídos sem grande consideração pela viabilidade futura das empresas que os recebem.

Para mudar esta tendência, o G30 formulou um quadro para auxiliar os decisores políticos na identificação das corporações e sectores para onde devem ser realocados os apoios à atividade económica, defendendo que “se forem tomadas medidas generalizadas numa fase precoce, as dificuldades empresariais não vão travar o regresso ao crescimento sustentado”, como se lê no comunicado da organização.

“O problema é pior do que parece à partida, uma vez que o apoio massivo à liquidez, e a enorme confusão causada pela natureza sem precedentes desta crise, estão a camuflar a extensão total do problema. Temos uma imensidão de insolvências, especialmente de pequenas e médias empresas, que tocam muitos setores e jurisdições, à medida que os programas de apoio se esgotam e o património líquido existente é consumido pelas perdas”, afirma Mario Draghi, o antigo presidente do Banco Central Europeu (BCE) e copresidente do Grupo de Trabalho do G30 sobre a Revitalização do Setor Empresarial.

O relatório salienta as preocupações com “a sustentabilidade a longo prazo do setor empresarial, a utilização produtiva dos recursos e a prevenção de danos colaterais”, de forma a “encontrar um equilíbrio para apoiar as empresas que são viáveis a sair da pandemia, assegurando simultaneamente que o sistema bancário permanece estável e capaz de dar crédito às famílias e às empresas, e apoia a recuperação económica”.

Assim, o papel dos decisores políticos é amplamente destacado na publicação, dado o seu papel na determinação dos recipientes dos apoios governamentais. Por outro lado, o papel do mercado é também destacado, bem como dos agentes privados, que poderão ser mobilizados de forma a fazer uso das suas capacidades onde elas existam, num esforço para “alavancar recursos públicos escassos”.

“A duração da pandemia obriga-nos a concentrarmo-nos em questões estruturais e de solvabilidade, em vez de tentar ganhar tempo, com o foco na liquidez. A intervenção governamental é melhor se o seu foco estiver no mau funcionamento do mercado e na gestão do ritmo da necessária destruição criativa”, argumenta Raghuram Rajan, copresidente do Grupo de Trabalho do G30 sobre a Revitalização do Setor Empresarial, professor na Chicago Booth School of Business e  antigo governador do Banco Central da Índia.

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