O Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto na Saúde revela que as despesas do Estado em Saúde per capita em Portugal são 20% inferiores à média europeia, avança esta quinta-feira o “Jornal de Notícias” (JN).
Isto coloca Portugal em 17º lugar num ranking que é liderado pela Alemanha. O relatório, que foi divulgado na Convenção Nacional da Saúde (CNS), uma plataforma que reúne dezenas de entidades públicas e privadas ligadas ao setor, adianta também que o número de pessoas que estão a recorrer ao setor privado, da Saúde, está em subida. Com pior desempenho, face a Portugal, só está a Irlanda.
O documento conclui que apesar dos focos de pressão, onde inclui “o envelhecimento acelerado da população, o impacto da imigração nos últimos anos, o aumento da despesa com profissionais de saúde ou a necessidade de incorporar inovação”, – que colocam desafios ao sistema de saúde, Portugal tem “conseguido evoluir e melhorar” em várias dimensões críticas.
“O SNS em concreto tem mostrado resiliência e capacidade de inovar e melhorar dentro de um quadro complexo e a alcançar bons resultados, inclusive quando comparado no panorama internacional”, diz o documento.
O relatório diz ainda que o número de utentes sem médico de família continua a ser um “desafio recorrente”, e apresentou uma redução de dois pontos percentuais (p.p.) em 2024.
“O número de utentes a aguardar vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados e Integrados cresceu 39,3% entre 2020 e 2023, mas registou uma redução de 2,9% em 2024; a realização de cirurgias em regime ambulatório,
mantém-se estável e elevada, evidenciando a maturidade e eficácia do sistema”, indica o mesmo documento.
É ainda dito que o SNS24 teve um crescimento operacional de 71% ao ano desde 2023, “ultrapassando já os valores
anteriores à pandemia e consolidando-se como um canal essencial para triagem e aconselhamento, apesar dos desafios relativos à capacidade de resposta e ao volume” de chamadas atendidas.
“A hospitalização domiciliária aumentou 62% desde 2020, com incrementos notáveis no número de camas e na taxa de utilização, o que sugere ganhos em termos de eficiência, maior humanização dos cuidados e potencial para aliviar a pressão sobre os hospitais tradicionais”, é uma das conclusões do relatório.
Contudo o documento identifica que “persistem” áreas que exigem ação política determinada.
“Uma das quais são os pagamentos diretos suportados pelas famílias rondam os 30% — o dobro da média europeia; as proporções de primeiras consultas realizadas dentro do tempo adequado caíram 4,9%, as desigualdades por especialidade e territoriais na distribuição de profissionais expõem fragilidades no SNS com impacto considerável sobre a saúde e confiança da população, o crescimento das taxas de internamentos sociais (mais 20% em dois anos), são exemplos de desafios que comprometem a equidade e a sustentabilidade do sistema”, diz o relatório.
Este relatório é desenvolvido por uma equipa multidisciplinar e sob a chancela da Convenção Nacional da Saúde. O documento reúne 35 indicadores-chave e analisa dados públicos de múltiplas fontes.
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