Henrique Gouveia e Melo, candidato a Presidente da República, afirma ter sido “abusiva” a ideia de que estava a ser investigado pelo Ministério Público no processo relacionado com ajustes diretos na Marinha entre 2017 e 2020, considerando mesmo que foi vítima de “uma tentativa de assassinato de caráter”.
As declarações de Gouveia e Melo, na tarde desta terça-feira, surgem depois de a Procuradoria Geral da República ter esclarecido que o candidato a Belém não é arguido e que o processo em causa se encontra na fase final.
“A população percebeu perfeitamente o que é que está aqui em causa: uma tentativa de assassinato de caráter. Graças a Deus, não tenho medo, a minha coragem é baseada na minha integridade. Como disse ontem, não tenho nada a temer”, declarou aos jornalistas, frisando não “dever nada a ninguém”.
“Só tive um patrão e esse patrão foi o Estado português e os portugueses. Portanto, é assim que estou, de peito aberto, para qualquer dúvida que possam ter”, acrescentou.
Questionado sobre se deveria ter agido de outra forma, perante a recomendação feita pelo Tribunal de Contas relativamente aos ajustes diretos que estão em causa, já que era o responsável máximo da Marinha na altura, Gouveia e Melo disse que o seu percurso naquelas funções “está escrito”.
“Já não sei quantos louvores tive dos meus superiores hierárquicos, dos n problemas que resolvi. Resolvi problemas muito complexos. Posso não ter feito tudo perfeito, mas no cômputo geral, parece-me que foi muito positivo. Se não, também não tinha chegado a chefe da Armada”, salientou.
Gouveia e Melo assinalou ainda que, de facto, foi entendimento do TdC que o chefe máximo de uma organização que fazia 7.500 compras por ano tinha de estar a verificar todas as compras uma a uma. “E eu contestei isso. Basicamente, disse que era impossível. Dividam 7.500 compras por 2.500 horas do ano, concluirão que para fazer o processo todo de contratação pública, eu teria 20 minutos, se não fizesse mais nada na minha carreira”.
E sendo comandante Naval na Marinha àquela época, era responsável “pelas operações navais” e por um conjunto de bases militares. “Tinha praticamente mais de metade da Marinha à minha responsabilidade (…) Por isso tem de haver um equilíbrio na análise”, sublinhou.
Gouveia e Melo prosseguiu dizendo que, quando regressou à Marinha, das primeiras coisas que fez foi precisamente “mudar toda a estrutura de compras e de financiamento, precisamente para evitar que algum almirante caísse numa situação dessas”.
Aos jornalistas, o candidato a Belém reafirmou ter “toda a disponibilidade” para dar todas as explicações que forem necessárias, garantindo “toda a transparência”. A “opacidade” – de que acusa nomeadamente o seu adversário na corrida presidencial Marques Mendes -, é também “muitas vezes do sistema”, acusou, desabafando que “a coisa que mais o aborrece” é colocarem a sua integridade em causa, como aconteceu neste caso.
A revista Sábado noticiou esta segunda-feira que o MP está a investigar 57 contratos com a empresa Proskipper aprovados pelo atual candidato a Presidente da República no período entre 2017 e 2020. Contratos esses que já tinham sido verificados pelo Tribunal de Contas em 2024, sendo que esta entidade colocou de lado a possibilidade dos mesmos conterem qualquer tipo de infrações financeiras.
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