Governo prolonga estado de alerta até 30 de novembro. País poderá registar 1.300 casos diários nos próximos meses (com áudio)

“Está a confirmar-se aquilo que era esperado”, disse a ministra da Saúde, sublinhando que, apesar do “contexto favorável” da vacinação, o vírus continua a existir. Dados do INSA indicam que a 7 de novembro, Portugal registará 1.300 casos confirmados.

Mário Cruz/Lusa

Portugal irá manter-se em estado de alerta até ao próximo dia 30 de novembro às 23h59. O anúncio foi feito pela Ministra da Saúde, Marta Temido. A decisão foi tomada face ao aumento de novos casos por Covid-19 em território nacional, na última semana, que, embora se mantenha abaixo da média europeia, “conheceu um agravamento” significativo.

“A situação epidemiológica no país ao longo da última semana conheceu um agravamento”, disse Marta Temido, afirmando que o crescimento da incidência está em linha (mas abaixo da média) da restante Europa. Questionada sobre se já se antevê um pico de casos, a responsável pela pasta da Saúde informa que os dados do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA) prevê que a 7 de novembro se registe um total de 1.300 casos diários — isto “se se mantiver o nível transmissão [Rt] de 1.08”, disse, frisando que o nível de casos está a “crescer”.

“Está a confirmar-se aquilo que era esperado: apesar do contexto favorável de vacinação [85,9% da população está completamente vacinada e 194 mil pessoas já tomaram a dose de reforço], o vírus continua a transmitir-se e circular e, embora causando doença menos grave e consequências fatais em numero menos significativo, há um maior numero de casos”, afirmou a ministra da Saúde, em conferência de imprensa, após a reunião de Conselho de Ministros, esta quinta-feira.

Segundo a governante, a última análise de risco relativa à data 22 de outubro mostrava que nos “vários indicadores, o risco se mantinha em nível reduzido e moderado”. Ao nível da incidência, Portugal regista atualmente 94 casos por 100 mil habitantes, situando-se abaixo da como “linha vermelha”, ou seja, os 120 casos por 100 mil habitantes. Já o risco efetivo de transmissão (Rt), está acima de 1, acrescentou Marta Temido dizendo que existem “alguns sinais de preocupação” na proporção de positividade.

A situação é “estável”, garante a governante, mas existem “vários factores de contexto preocupantes: a situação europeia — sobretudo dos países com maior contacto— as temperaturas frias, a circulação dos vírus respiratórios e a maior tendência de concentração em espaços menos arejados.”

“Eventuais adaptações destas medidas serão feitas se necessário e no devido tempo. Agora existe apenas crescimento da infeção e transmissão”, responde a ministra.

Questionada sobre se o prolongamento destes estado é equivalente à aplicação de novas medidas restritivas, Marta Temido refere que para já mantém-se as recomendações em vigor — “medidas básicas de utilização de máscara em ambientes fechados, a preocupação de não frequentar ou não permanecer em espaços muitos lotados, ou o arejamento de espaços físicos — mas deixa um alerta: “adaptações destas medidas restritivas far-se-ão, se necessárias”.

 

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