Governos africanos sem capacidade para ajudar as economias como na primeira vaga

“A África subsaariana foi duramente atingida pelo choque da pandemia em 2020, passando pela primeira recessão em 30 anos, mas o impacto da crise na saúde pública e na recessão foi menor do que inicialmente estimado, e mais suave que noutras regiões de mercados emergentes”, dizem os analistas do IFI, o instituto que congrega os maiores credores privados da dívida a nível mundial.

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O Instituto Financeiro Internacional (IFI), que reúne os credores privados mundiais, alertou hoje que os governos africanos não vão conseguir apoiar tanto as economias como fizeram durante a primeira vaga da pandemia de covid-19.

“Em toda a região da África subsaariana, o choque da covid-19 causou um substancial alargamento dos défices orçamentais, e a dívida pública deverá aumentar rapidamente; em resultado, o espaço de manobra orçamental é escasso e durante a segunda vaga da pandemia, os governos vão ter dificuldades em apoiar a recuperação de forma tão robusta como fizeram no primeiro semestre de 2020”, alertam os credores.

O relatório sobre a Análise de Mercados Emergentes em África, enviado aos credores privados e a que a Lusa teve acesso, faz um retrato da situação económica na África subsaariana, detendo-se de forma mais pormenorizada em nove países, entre os quais está Angola.

“A África subsaariana foi duramente atingida pelo choque da pandemia em 2020, passando pela primeira recessão em 30 anos, mas o impacto da crise na saúde pública e na recessão foi menor do que inicialmente estimado, e mais suave que noutras regiões de mercados emergentes”, dizem os analistas do IFI, o instituto que congrega os maiores credores privados da dívida a nível mundial.

“Isto foi o resultado da recuperação mais rápida dos preços das matérias-primas e da propagação relativamente limitada do vírus”, apontam os analistas, vincando que “dentro da região, os países com uma base de exportações mais diversificada geriram melhor a crise, enquanto países exportadores de petróleo, como Angola, Camarões ou Nigéria foram mais negativamente afetados”.

Por outro lado, apontam a Costa do Marfim, Gana, Quénia e Tanzânia como países que deverão ter uma “forte recuperação este ano”.

O sentimento de aversão ao risco causado pelas incertezas decorrentes da pandemia de covid-19 originou uma forte redução dos fluxos de capitais nestes nove países, que desceu de 41,3 mil milhões de dólares, cerca de 34,1 mil milhões de euros, em 2019 para 18 mil milhões de dólares, ou 14,8 mil milhões de euros, no ano passado.

“Apesar de o Investimento Direto Estrangeiro dever continuar relativamente estável, o portefólio dos investidores estrangeiros deve ser reduzido, em particular no que diz respeito a títulos de dívida, o que levará a uma saída de 3 mil milhões de dólares [2,4 mil milhões de euros] em 2020, o que compara com a entrada de 17 mil milhões de dólares [14 mil milhões de euros] no ano anterior”, apontam os economistas, notando que esta saída de capitais foi parcialmente compensada pela ajuda financeira dada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de quase 8 mil milhões de dólares, cerca de 6,6 mil milhões de euros.

O impacto nas contas públicas foi também significativo, apesar de os défices orçamentais serem comuns entre os mercados em desenvolvimento.

O problema é que “os números exacerbam o endividamento elevado que já havia antes da pandemia”, alertam os economistas, detalhando que “começando em 2024, as amortizações dos pagamentos da dívida pública vão subir abruptamente e continuar elevadas até ao princípio da década de 2030”, com a Nigéria e o Gana a terem de pagar entre 7,5 e 8 mil milhões de dólares, ou seja, entre 6,2 e 6,6 mil milhões de euros, nos próximos 15 anos, e Angola entre 5 a 6,5 mil milhões de dólares, o equivalente a 4,1 a 5,3 mil milhões de euros.

África regista um total de 95.529 óbitos, em mais de 3,6 milhões de casos de infeção pelo SARS-CoV-2, segundo os mais recentes dados oficiais do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro de 2020, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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