“Hoje em mais do que qualquer outro dia, a casa da democracia tem que dizer presente”, diz Ana Catarina Mendes

Ana Catarina Mendes defendeu que “comemorar a liberdade é trabalhar para a democracia e não devemos subtrair-nos a nenhuma das dimensões necessárias desse trabalho”.

TIAGO PETINGA/LUSA

A líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, defendeu a importância das comemorações do 25 de abril no Parlamento, num dia que continua a ser marcado pela divisão dos partidos sobre o tema.

“Acaso poderíamos nós, deputados, estar noutro local que não no Parlamento para assinalar os 46 anos do 25 de abril? Não, não podíamos. Mesmo num contexto do Estado de Emergência, a democracia não está suspensa”, disse a parlamentar, no discurso das comemorações oficiais dos 46 anos do Parlamento da Revolução dos Cravos.

Ana Catarina Mendes sublinhou que “todas as semanas temos aqui estado a trabalhar para aprovar leis e para fiscalizar o Governo”, defendendo que “não estaríamos à altura das nossas responsabilidades se fechássemos o Parlamento ao 25 de abril. Hoje em mais do que qualquer outro dia, a casa da democracia tem que dizer presente. Hoje estamos aqui nesta como noutras sessões no nosso posto”.

“Comemorar a liberdade é trabalhar para a democracia e não devemos subtrair-nos a nenhuma das dimensões necessárias desse trabalho”, frisou, salientando que o 2Parlamento tem um lugar único na democracia”.

“É a casa das diferenças de opinião, das diferenças programáticas, das diferenças de propostas. É na Assembleia da República que a pluralidade se assume como valor constitutivo e garante do bem comum? É aqui que se afirma a cada dia, a cada debate que a unidade nacional é a unidade plural da diversidade”, disse. “O Parlamento não pode, por isso, em qualquer circunstância de deixar de ocupar o seu lugar, de assumir as suas responsabilidades de representação, porque as nossas diferenças não podem ser destrutivas, porque as nossas diferenças são legítimas, mas a sua afirmação deve coexistir com a capacidade de nos momento decisivos para os portugueses nos unirmos no que é essencial”, acrescentou.

Realçou ainda que “nunca nestes 46 anos como no último mês e meio a democracia foi tão colocada à prova. Nenhum de nós imaginaria que estaríamos limitados na nossa liberdade por uma pandemia, um inimigo invisível, que nos impôs circunstâncias que conduziram ao Estado de Emergência”.

Homenageou ainda todos os que estão “em confinamento social, mas deixar uma palavra de solidariedade às vítimas e também a todos os portugueses que estão a enfrentar esta pandemia de forma exemplar”.

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