Incerteza global e preços da energia forçam BCE a rever em baixa as projeções

O reconhecimento que o ‘outlook’ para a inflação e para o crescimento económico está mais negativo levou o BCE a anunciar várias medidas de estímulo esta quinta-feira.

A incerteza que ensombra a economia global está a travar o crescimento na zona euro, que por sua vez penaliza uma inflação que já está a ser castigada pelo preços da energia. Esta combinação de fatores obrigou esta quinta-feira o Banco Central Europeu (BCE) a rever em baixa as projeções económicas para a zona euro.

O banco central liderado por Mario Draghi cortou as projeções para o crescimento económico e para a inflação para todos os anos no horizonte até 2021. Em relação à inflação, após os 1,8% de 2018, o BCE projeta agora 1,2% este ano (face a 1,3% na projeção de junho), 1,0% em 2020 (vs. 1,4%) e 1,5% em 2021 (face a 1,6%).

No crescimento económico, o banco central prevê 1,1% este ano (face a 1,2% na projeção de junho), 1,2% em 2020 (vs. 1,4%) e 1,4% em 2021 (mantendo a projeção anterior).

Para fazer face a este outlook mais fraco, o Conselho de Governadores anunciou um pacote de medidas de estímulo, incluindo um corte na taxa de depósito e o reinício do programa de compra líquida de ativos.

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