Inteligência Artificial vai ter “impacto inegável” na auditoria

Auditores acreditam que as novas tecnologias devem ser vistas como “facilitadoras” para poder prestar um melhor serviço aos clientes, mas alertam que também podem ser “atrativas para o cibercrime”.

“Uma oportunidade para os negócios melhorarem as suas operações”. Este é um dos papéis que Vítor Ribeirinho, vice-presidente da KPMG aponta para a Inteligência Artificial (IA) no futuro das empresas de auditoria. Para o responsável, a IA “já não é uma longínqua possibilidade teórica em auditoria”, mas uma realidade que “irá continuar a apresentar-nos muitas oportunidades, mas também um conjunto alargado de riscos que teremos de avaliar”. Um desses riscos é o modo como “estas tecnologias são igualmente atrativas para o cibercrime, uma vez que melhoram as capacidades e aumentam a rapidez com que os hackers identificam e exploram as fragilidades das estruturas tecnológicas das organizações”.

Por sua vez, Luís Gaspar, country managing partner da Mazars, olha para as novas tecnologias como “um facilitador com elementos adicionais que nos disponibilizarão novas ferramentas para tornar o trabalho mais célere e eficaz”, e, como tal, não devem ser vistas como uma “uma ameaça, apesar de poder existir ainda alguma resistência à mudança”. O responsável acredita que a IA vai “assumir um impacto inegável na nossa atividade e se constitua como uma grande ajuda para as empresas de auditoria”. Questionado sobre as mudanças na forma de trabalhar durante o estado de emergência decretado na sequência da pandemia da Covid-19, Vítor Ribeirinho frisa que “o trabalho à distância criou inicialmente desafios à coordenação de equipas, mas estes foram rapidamente superados”. Por outro lado, e em muitas circunstâncias, “permitiu aumentos de produtividade, tendo em consideração que não se perde tempo em deslocações para reuniões”, traduzindo-se desse modo “numa gestão do tempo mais alargada e eficaz”.

Já Luís Gaspar frisa que “as verdadeiras questões que se colocaram às empresas foi se estavam ou não preparadas para uma crise económica e se os planos de contingência que existiam eram ou não adequados”, sendo que “como verificámos, as empresas a atuar no mercado de auditoria não reagiram todas da mesma forma”. Poderá então o teletrabalho, juntamente com as novas tecnologias, tornar-se mais preponderante entre as empresas de auditoria?

“O trabalho remoto terá um papel relevante no futuro em determinado tipo de projetos e momentos do processo, mas não poderá representar uma parte relevante do tempo dedicado à presença física nos nossos clientes face às suas especificidades”, refere Vítor Ribeirinho, dado que “o trabalho do auditor vive da evidência, da aplicação do seu ceticismo, e nunca poderá dispensar a presença física nos clientes quer para a realização de testes e procedimentos, recolha de evidência e discussão presencial dos temas, quer com os órgãos executivos como com os órgãos de fiscalização”.

Contudo, o vice-presidente da KPMG realça que “as alterações impostas pela Covid-19, tiveram globalmente um impacto positivo em diversos aspetos da nossa atividade, como a maior conectividade, a utilização crescente de ferramentas digitais e interação com as equipas e os clientes, beneficiando estes últimos de uma maior disponibilidade para contactos mais frequentes e eficientes”.

Luís Gaspar realça que a Mazars estava preparada para o teletrabalho, pois “este regime já era uma prática na empresa, não tendo impactado a nossa produtividade e eficiência”. Já em termos globais, “a situação atual parece ter vindo convencer com êxito os últimos resistentes, uma vez que pudemos observar que este sistema pode funcionar eficazmente numa variedade de setores e tarefas, mantendo um nível elevado de produtividade e de satisfação dos clientes. O paradigma mudou e promete trazer mudanças que vieram para ficar na forma como entendemos o trabalho e a relação com as nossas pessoas”, conclui.

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