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Investimento imobiliário deve atingir um bilião de dólares em 2026

A previsão da consultora Savills aponta para que um quarto do volume global se concentre no setor de escritórios, o que reforçaria o peso deste segmento em 2026.
23 Dezembro 2025, 13h51

O outlook da Savills World Research prevê que o investimento imobiliário atinja um bilião de dólares, ao nível global, ou 850 mil milhões de euros, em 2026. A se confirmar seria a primeira vez desde 2022 que a fasquia era ultrapassada.

“A Europa, Médio Oriente e África (EMEA) surge como a região com o maior crescimento previsto, com um aumento de 22% para 300 mil milhões de dólares (254 mil milhões de euros) em volume de investimento, enquanto as Américas mantêm a liderança, com 570 mil milhões de dólares (483 mil milhões de euros) projetados, dos quais 530 mil milhões (449 mil milhões de euros) nos Estados Unidos”, diz o outlook da Savills World Research.

Um quarto do volume deve concentrar-se nos escritórios

A previsão da consultora Savills aponta para que um quarto do volume global se concentre no setor de escritórios, o que reforçaria o peso deste segmento em 2026.

“Apesar dos desafios económicos e fiscais, antecipamos uma recuperação do mercado e um ambiente mais otimista para os investidores, apoiado pelo regresso do capital institucional, pela estabilidade da procura e pela retoma da atividade após vários anos de fraco desempenho”, salienta a consultora.

O Head of Global Cross Border Investment da Savills, Rasheed Hassan, refere que os dados de 2025 já mostram um ponto de viragem, com o investimento dos primeiros três trimestres 10% acima do registado no mesmo período de 2024.

“Os valores de capital estabilizaram em baixa, o volume médio das operações aumenta e a dívida volta a acrescentar valor aos retornos. Estas tendências devem ganhar força em 2026”, disse Rasheed Hassan.

A consultora adianta também que no mercado ocupacional 89% dos researchers da Savills em todo o mundo “antecipam aumentos” das rendas de escritórios prime nas respetivas geografias em 2026, “à medida que as empresas continuam a privilegiar espaços de maior qualidade”.

A previsão da consultora aponta para que a procura por parte dos investidores se “mantenha sólida” nos setores residencial e industrial & logística, sendo que o retalho “continuará” também a oferecer oportunidades. “Neste último caso, o cenário varia entre subsectores e regiões, mas, no total, dois terços dos especialistas da Savills antecipam crescimento das rendas em 2026 e 26% esperam que estas se mantenham estáveis”, salienta o outlook.

“O mercado português não é exceção a esta tendência. Pelo contrário, o maior destaque da economia nacional tem vindo a reforçar o interesse dos investidores em aumentar a sua exposição. À semelhança do que se verifica noutras regiões, o quarto trimestre de 2025 já reflete esta dinâmica, e o início de 2026 deverá trazer volumes de investimento elevados em praticamente todos os setores”, diz o head of capital markets da Savills, Pedro Figueiras.

A consultora considera também que a tecnologia será “um dos principais temas que irão moldar o mercado imobiliário global” em 2026, surgindo como o segundo fator mais relevante logo após o enquadramento económico e fiscal.

“O impacto da inteligência artificial (IA) no trabalho deverá variar entre setores, desde a forma como as empresas utilizam os escritórios e definem estratégias de ocupação até à criação de novas oportunidades em centros de dados e PropTech”, antevê a consultora.

O head of Savills World Research, Paul Tostevin, considera que a transformação tecnológica, impulsionada pela maior adoção da IA, assume um “papel central” na evolução do mercado.

“Mas investidores e ocupantes não podem ignorar o peso das mudanças demográficas e comportamentais. O imobiliário existe, em última análise, para servir as pessoas – onde vivem, trabalham, fazem compras e usufruem do seu tempo livre. À medida que estes comportamentos mudam e que os perfis demográficos evoluem, a capacidade operacional passa a ser um fator decisivo de diferenciação”, acrescentou Paul Tostevin.

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