ISEG prevê queda do PIB português entre 8% e 10% em 2020

Esta estimativa de crescimento da economia para 2020 pressupõe que a crise sanitária “não irá evoluir de forma substancialmente mais negativa até ao final do ano”, diz o ISEG.

Segundo a estimativa rápida preliminar do INE, “para 2020, dado o resultado da primeira metade do ano e a progressiva retoma da maioria das atividades face às maiores restrições de abril e maio, estima-se como mais provável que a variação final do PIB se venha a situar entre -10% a -8%. Este resultado pressupõe que a crise sanitária não irá evoluir de forma substancialmente mais negativa até ao final do ano”, diz o instituto.

No segundo trimestre, o período de maiores restrições de atividade impostas pelo combate à pandemia Covid-19, o PIB português caiu 16,5% em termos homólogos e 14,1% em relação ao trimestre anterior. O decréscimo homólogo na primeira metade do ano situou-se em 9,4%, refere o ISEG na sua Síntese da Conjuntura.

Na mesma síntese, o ISEG indicou que, “dada a origem da queda da economia no 2.º trimestre, determinada pelo confinamento e encerramento de atividades em Portugal e no exterior, a economia recomeçará naturalmente a crescer trimestralmente, mas não tão cedo em termos homólogos, com a reabertura de atividades e a progressiva retoma das redes de interdependência económica setoriais nacionais e internacionais”. Sendo que “isto mesmo é indiciado pela evolução dos indicadores qualitativos ou do consumo de eletricidade em julho”.

O ISEG alerta que, “porque o problema sanitário ainda não está resolvido e o seu controlo envolve perdas de produtividade” e tendo em conta que, “entretanto, as restrições de atividade geraram problemas de rendimento e de enfraquecimento da procura e porque a confiança dos consumidores, sobretudo, permanece baixa, o ritmo desta retoma poderá não ser tão rápido quanto o desejável”.

“A economia portuguesa será ainda penalizada”, adiantam os economistas do ISEG. Isto “devido à incerteza da retoma da procura turística externa e à quebra nas exportações turísticas”, entre outras, sendo ainda “de esperar, mesmo com políticas contrárias, que as consequências sociais negativas da crise económica, nomeadamente em termos de emprego e de falências, se venham a agravar por alguns meses”.

Na área do euro a variação homóloga trimestral foi de -15%, com -11,7% na Alemanha, -22,1% em Espanha, -19,0% em França e -17,3% em Itália.

“Em julho, os indicadores de clima e confiança empresariais caraterizaram-se, na generalidade da área euro e em Portugal, por novas subidas, afastando-se mais dos mínimos de abril ou maio. As melhorias são maiores nos setores da construção e da indústria e menores no comércio a retalho e, sobretudo, nos serviços”, realça o ISEG. Já o indicador de confiança dos consumidores desceu marginalmente na Área do Euro e, de forma ligeira, em Portugal, adianta o instituto.

Em geral, a recuperação da confiança dos consumidores está a ser comparativamente mais lenta, referem os economistas do ISEG.

 

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