Jerome Powell sobre os estímulos: não agir é mais arriscado do que exagerar nos apoios

“Uma desaceleração prolongada no ritmo de melhoria ao longo do tempo pode desencadear uma dinâmica recessiva típica, à medida que a fraqueza se alimenta da fraqueza”, alertou o presidente do banco central dos Estados Unidos. Mesmo que as medidas para evitar isso sejam exageradas, não serão desperdiçadas, acrescentou.

O presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana, Jerome Powell, afirmou esta terça-feira que a recuperação da maior economia do mundo está ainda em curso e que os riscos relacionados com a intervenção na economia são assimétricos: é mais arriscado neste momento agir de menos do que agir demasiado.

O alerta de Powell vem numa altura em que os democratas e republicanos ainda não conseguiram chegar a acordo sobre um novo programa de estímulos orçamentais à economia, para substituir o que terminou em julho, apesar estar a conduzir reuniões diárias de negociação.

Num discurso na reunião anual da “National Association for Business Economics”, Powell disse que a recuperação progrediu mais rapidamente do que geralmente se esperava, recordando que as projeções mais recentes dos membros do FOMC (Federal Open Market Committee) mostram que continua a um ritmo sólido.

Adiantou que, no entanto “claro, a economia pode ter um desempenho melhor ou pior do que o esperado”, que o outlook permanece altamente incerto, salientando que existe o risco de que os ganhos iniciais rápidos com a reabertura possam transitar para um caminho mais longo do que o esperado de volta à recuperação total, à medida que alguns segmentos lutam com as consequências contínuas da pandemia.

Recordou ainda que ritmo da recuperação modero  desde os “ganhos exagerados” de maio e junho, como é evidente nos dados de emprego, rendimentos e gastos. “O aumento da perda de empregos permanentes, assim como os despedimentos recentes, também são notáveis”, acrescentou.

Para Powell, a Fed tem de gerir os riscos negativos, o primeiro dos quais é que os casos de Covid-19 possam subir novamente a níveis que limitam mais significativamente a atividade económica.

“Um segundo risco é que uma desaceleração prolongada no ritmo de melhoria ao longo do tempo possa desencadear uma dinâmica recessiva típica, à medida que a fraqueza se alimenta da fraqueza”, afirmou, reiterando que um longo período de progresso desnecessariamente lento pode continuar a exacerbar as disparidades existentes na economia.

“A expansão ainda está longe de ser concluída. Nesta fase inicial, eu diria que os riscos de políticas de intervenção ainda são assimétricos. Muito pouco apoio levaria a uma recuperação fraca, criando dificuldades desnecessárias para famílias e empresas. Com tempo, as insolvências das famílias e as falências de empresas aumentariam, prejudicando a capacidade produtiva da economia e travando o crescimento dos salários”, explicou.

Por outro lado, “os riscos de exagero parecem, por enquanto, menores”. O presidente da Fed vincou que “mesmo que as medidas acabem por se revelar maiores do que o necessário, elas não serão desperdiçadas”, pois “a recuperação será mais forte e mais rápida se a política monetária e a política fiscal continuarem a trabalhar lado a lado para dar suporte à economia até que ela esteja claramente fora de perigo”.

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