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João Bento sai dos CTT e vai ser chairman da Altri

Fez 65 anos e deixa a presidência executiva dos CTT, por vontade própria, em abril. Vai presidir ao conselho de administração da Altri, uma posição não executiva.
20 Março 2026, 07h04

João Bento, atual CEO dos CTT – Correios de Portugal, será o futuro chairman da Altri SGPS, apurou o Jornal Económico.

O gestor deixa assim os Correios para integrar o setor da pasta e papel na empresa de Paulo Fernandes. Substituirá no cargo Alberto de Castro, que terminou o mandato também em 2025. Os mandatos dos atuais órgãos sociais de ambas as empresas (CTT e Altri) terminaram em 2025, e as assembleias gerais eleitorais coincidem em abril.

A próxima Assembleia Geral da Altri SGPS está agendada para 28 de abril de 2025, estando previsto que José Pina continue como CEO. Já a próxima Assembleia Geral Anual dos CTT está agendada para o dia 30 de abril de 2026.

Contactada a Altri diz que “não comenta temas de governance”.

O CEO dos CTT vai liderar uma empresa que enfrenta queda dos lucros. A papeleira obteve um resultado líquido de 21,4 milhões no final de 2025, caindo mais de 80% face aos 107,2 milhões de 2024. Já o EBITDA situou-se em 94,1 milhões, valor que traduz uma queda de 57% face aos 218,3 milhões um ano antes, “essencialmente afetado pelos preços da pasta nos mercados internacionais (impacto das tarifas) e pela desvalorização do dólar norte-americano”. As receitas do grupo Altri registaram uma queda de 17,8% para 702,8 milhões.

João Bento, que apresentou esta semana os seus últimos resultados enquanto presidente dos CTT, vai passar a liderança executiva ao atual administrador financeiro, Guy Pacheco. Por sua vez, o cargo de CFO dos CTT será desempenhado por Joana Freitas.

O gestor, que integra o Conselho de Administração dos CTT desde 2017 como administrador não executivo, tendo ascendido a CEO em maio de 2019, decidiu sair invocando o facto de ter completado 65 anos: “João Bento decidiu, conforme o seu plano pessoal, terminar a sua carreira executiva no final do atual mandato do Conselho de Administração dos CTT, concluindo assim as suas funções na próxima Assembleia Geral Anual, a 30 de abril de 2026”, segundo o comunicado oficial dos CTT, emitido em janeiro.

Durante o seu mandato como CEO, liderou com sucesso a profunda transformação dos CTT de operador postal português em player líder em logística na Península Ibérica.

A Comissão Europeia aprovou esta semana formalmente a parceria e a criação de uma joint venture entre os CTT – Correios de Portugal e a DHL eCommerce. A aliança estratégica pretende explorar o potencial de crescimento do e-commerce em Portugal e Espanha — que, em conjunto, formam o quarto maior mercado da Europa. O acordo prevê a geração de receitas combinadas de mil milhões de euros e uma capacidade logística superior a um milhão de envios diários. Ou seja, criará duas das redes de recolha e entrega de encomendas mais abrangentes da Península Ibérica.

No seu mandato, há ainda a destacar a parceria estratégica de longo prazo assinada com a Generali Tranquilidade, que assim se tornou acionista com 8,71% do capital do banco, após um aumento de capital de 25 milhões de euros. Este acordo, fechado em novembro de 2024, foca-se na distribuição de seguros de vida e não vida na rede CTT.

O Banco CTT tem, aliás, sido alvo de rumores, depois de o ainda CEO dos CTT ter dito, numa entrevista, que estavam a considerar todas as opções para o banco, incluindo uma potencial venda.

Recentemente, a Bloomberg avançou que os CTT convidaram assessores a apresentarem propostas para “explorar opções”, o que pode incluir a venda do Banco CTT.

O banco, atualmente liderado por Francisco Barbeira, reportou esta quarta-feira um lucro de 20,8 milhões que se traduz “no melhor resultado de sempre”.


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