João Bento, atual CEO dos CTT – Correios de Portugal, será o futuro chairman da Altri SGPS, apurou o Jornal Económico.
O gestor deixa assim os Correios para integrar o setor da pasta e papel na empresa de Paulo Fernandes. Substituirá no cargo Alberto de Castro, que terminou o mandato também em 2025. Os mandatos dos atuais órgãos sociais de ambas as empresas (CTT e Altri) terminaram em 2025, e as assembleias gerais eleitorais coincidem em abril.
A próxima Assembleia Geral da Altri SGPS está agendada para 28 de abril de 2025, estando previsto que José Pina continue como CEO. Já a próxima Assembleia Geral Anual dos CTT está agendada para o dia 30 de abril de 2026.
Contactada a Altri diz que “não comenta temas de governance”.
O CEO dos CTT vai liderar uma empresa que enfrenta queda dos lucros. A papeleira obteve um resultado líquido de 21,4 milhões no final de 2025, caindo mais de 80% face aos 107,2 milhões de 2024. Já o EBITDA situou-se em 94,1 milhões, valor que traduz uma queda de 57% face aos 218,3 milhões um ano antes, “essencialmente afetado pelos preços da pasta nos mercados internacionais (impacto das tarifas) e pela desvalorização do dólar norte-americano”. As receitas do grupo Altri registaram uma queda de 17,8% para 702,8 milhões.
João Bento, que apresentou esta semana os seus últimos resultados enquanto presidente dos CTT, vai passar a liderança executiva ao atual administrador financeiro, Guy Pacheco. Por sua vez, o cargo de CFO dos CTT será desempenhado por Joana Freitas.
O gestor, que integra o Conselho de Administração dos CTT desde 2017 como administrador não executivo, tendo ascendido a CEO em maio de 2019, decidiu sair invocando o facto de ter completado 65 anos: “João Bento decidiu, conforme o seu plano pessoal, terminar a sua carreira executiva no final do atual mandato do Conselho de Administração dos CTT, concluindo assim as suas funções na próxima Assembleia Geral Anual, a 30 de abril de 2026”, segundo o comunicado oficial dos CTT, emitido em janeiro.
Durante o seu mandato como CEO, liderou com sucesso a profunda transformação dos CTT de operador postal português em player líder em logística na Península Ibérica.
A Comissão Europeia aprovou esta semana formalmente a parceria e a criação de uma joint venture entre os CTT – Correios de Portugal e a DHL eCommerce. A aliança estratégica pretende explorar o potencial de crescimento do e-commerce em Portugal e Espanha — que, em conjunto, formam o quarto maior mercado da Europa. O acordo prevê a geração de receitas combinadas de mil milhões de euros e uma capacidade logística superior a um milhão de envios diários. Ou seja, criará duas das redes de recolha e entrega de encomendas mais abrangentes da Península Ibérica.
No seu mandato, há ainda a destacar a parceria estratégica de longo prazo assinada com a Generali Tranquilidade, que assim se tornou acionista com 8,71% do capital do banco, após um aumento de capital de 25 milhões de euros. Este acordo, fechado em novembro de 2024, foca-se na distribuição de seguros de vida e não vida na rede CTT.
O Banco CTT tem, aliás, sido alvo de rumores, depois de o ainda CEO dos CTT ter dito, numa entrevista, que estavam a considerar todas as opções para o banco, incluindo uma potencial venda.
Recentemente, a Bloomberg avançou que os CTT convidaram assessores a apresentarem propostas para “explorar opções”, o que pode incluir a venda do Banco CTT.
O banco, atualmente liderado por Francisco Barbeira, reportou esta quarta-feira um lucro de 20,8 milhões que se traduz “no melhor resultado de sempre”.
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