Um estudo pioneiro da Universitat Pompeu Fabra (UPF), em Barcelona, revela que jovens de classes sociais mais baixas, sobretudo rapazes, são alvo de anúncios sobre formas de ganhar dinheiro rápido com produtos financeiros de risco, quase o dobro em comparação com os jovens de classes mais altas (15% contra 8%). A investigação realizada online analisou a publicidade personalizada nas redes sociais TikTok e Instagram, com base numa amostra de 1200 jovens catalães com idades entre os 14 e os 30 anos.
Nessas redes, os jovens de classes socioeconómicas mais baixas recebem mais anúncios relacionados com serviços financeiros de risco (como empréstimos rápidos, investimentos em criptomoedas…), apostas, jogos online ou conteúdo que promete dinheiro fácil e empregos flexíveis com poucos requisitos. Em contrapartida, o único tipo de publicidade que aparece com frequência para jovens de classe alta é relacionado com viagens e lazer.
Os dados mostram diferenças significativas: 44% dos jovens de classes baixas recebem anúncios sobre negócios digitais prometendo lucro rápido, contra apenas 4% dos jovens de classes altas. Situa-se na mesma linha o conteúdo sobre empregos sem requisitos (39% contra 4%) ou investimentos imediatos em criptomoedas (33% contra 4%).
O estudo aponta ainda diferenças de género: rapazes de classes baixas recebem mais anúncios de jogos online e apostas do que os de classes altas, enquanto as raparigas visualizam mais publicidade relacionada com moda (50% contra 13%), beleza e parentalidade (16% contra 5%).
Carolina Sáez, autora principal do estudo, explica que as redes sociais conseguem personalizar a publicidade não apenas com base nos dados que os utilizadores fornecem, mas também através de algoritmos que deduzem o estatuto económico, o nível de educação e a origem social. “A publicidade algorítmica explora comercialmente o desejo de jovens de classes menos favorecidas de subir na vida”, alerta a investigadora.
O estudo destaca ainda que menores de 14 a 17 anos recebem anúncios de álcool, jogos de apostas, cigarros eletrónicos e bebidas energéticas, apesar das restrições legais europeias.
Os autores defendem a necessidade de reforçar a regulamentação e o controlo do uso da IA na publicidade digital dirigida a jovens, bem como investir na literacia digital para aumentar a capacidade crítica dos utilizadores mais novos.
O estudo completo em https://revistas.unav.edu/index.php/communication-and-society/article/view/51312
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