Em novembro de 2025, o equilíbrio entre idade, entrada inicial e custo total do empréstimo mostrou duas realidades opostas. Os jovens estão a pagar prestações mais altas, mas conseguem reduzir o MTIC, já quem tem mais de 35 anos baixa a mensalidade, mas aumenta a fatura final.
O mercado de crédito à habitação português voltou a evidenciar as diferenças geracionais no acesso ao financiamento da compra de casa. De acordo com os dados do mais recente relatório de mercado de crédito habitação do ComparaJá, o comportamento entre os consumidores com menos e mais de 35 anos mostra estratégias opostas para lidar com o peso das taxas e do custo total dos empréstimos.
Entre os mais jovens, a tendência passa por suportar prestações mensais mais elevadas, em troca de minimizar o custo global do crédito. Este grupo registou uma prestação média de 671 euros, uma ligeira subida face a outubro, mas conseguiu reduzir o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC) para 320.530 euros, menos 24.768 euros do que no mês anterior. Também o valor médio da entrada inicial aumentou para 67.805 euros, o que indica maior esforço financeiro no momento da compra e alguma poupança acumulada para dar resposta ao encarecimento do mercado.
Já entre os consumidores com mais de 35 anos, a prioridade parece ser aliviar o orçamento mensal. A prestação média desceu para 559 euros, menos 28 euros face ao mês anterior, mas à custa de uma entrada inicial significativamente superior, 89.293 euros, mais 14.693 euros do que em outubro. Apesar desta estratégia de maior capital próprio, o MTIC deste grupo aumentou para 258.979 euros, o que reflete empréstimos com valores mais altos ou prazos mais longos.
Pedro Castro, Head of Operations do ComparaJá, explica esta divergência: “As diferenças entre faixas etárias ficaram ainda mais claras. Cada decisão pesa no orçamento e, num cenário de custos elevados, comparar deixou de ser opcional.” Segundo o mesmo, os dados comprovam que os consumidores estão mais atentos às alternativas disponíveis, ajustando as condições para equilibrar custo total e sustentabilidade mensal.
No plano estrutural, esta segmentação etária espelha as dificuldades do mercado imobiliário nacional. Os jovens enfrentam preços de compra cada vez mais altos, níveis de poupança limitados e exigências bancárias rigorosas. Por isso, recorrem a empréstimos mais elevados e prazos longos, tentando compensar com negociações de condições mais vantajosas. Já os compradores mais experientes, tendencialmente com maior estabilidade financeira, privilegiam prestações baixas, mesmo que isso implique pagar mais no total.
Através do relatório de mercado do ComparaJá é notável que o crédito à habitação continua a ser um campo de escolhas complexas, onde idade e perfil financeiro determinam não só a casa que se compra, mas também o custo de habitar.
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