Juventude Popular propõe “passaporte lusófono” na CPLP

A facilitação da circulação dos cidadãos lusófonos é a principal prioridade da atual presidência da organização, exercida por Cabo Verde, e o assunto será debatido na sexta-feira pelos chefes da diplomacia dos nove Estados-membros da CPLP, numa reunião extraordinária por videoconferência.

A Juventude Popular propôs esta quinta-feira um “passaporte lusófono” para os cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), defendendo um “mecanismo de auxílio militar e logístico” para evitar “catástrofes” como a do norte de Moçambique, palco de ataques.

Em comunicado, a direção da Juventude Popular (JP) defende, “em primeiro lugar, a maior integração entre Estados-membros e a livre circulação de pessoas e bens, através de um novo regime de mobilidade, o ‘Passaporte Lusófono’”.

A facilitação da circulação dos cidadãos lusófonos é a principal prioridade da atual presidência da organização, exercida por Cabo Verde, e o assunto será debatido na sexta-feira pelos chefes da diplomacia dos nove Estados-membros da CPLP, numa reunião extraordinária por videoconferência.

A medida deverá ser depois aprovada pelos chefes de Estado e de Governo dos nove países da CPLP, em cimeira prevista para julho, em Luanda.

Outra medida preconizada pelos jovens democratas-cristãos é a criação, pela comunidade lusófona, de “um mecanismo que possa servir para auxílio militar e logístico perante situações de crise humanitária, que comprometa os Estados a prestar estes apoios”.

“Tal é a ferramenta que falta para evitar catástrofes dramáticas como a que assistimos em Moçambique”, afirma, citado no comunicado, o líder da JP, Francisco Camacho, para quem é “imoral um país como Portugal observar imperturbado aos atentados sucessivos feitos contra o povo moçambicano, que se vê com poucos apoios por parte da comunidade internacional”.

A JP refere-se à situação de Cabo Delgado, norte de Moçambique, onde a insurgência armada, desde há três anos e meio, está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

Outras medidas propostas pela nova direção da JP passam pela concretização do mercado comum de bens, com a eliminação de entraves burocráticas e com uma política concertada de benefícios fiscais, a promoção do conhecimento científico, através da criação de um fundo comum para projetos de investigação científica e tecnológica e de redes de ensino, e a modernização da estrutura, através de uma estratégia de digitalização e de uma comunicação mais presente no meio empresarial e no ensino.

Eleita recentemente, a nova direção da JP, liderada por Francisco Camacho, coloca como prioridade da sua agenda política o futuro da organização dos países de língua portuguesa.

Para o líder dos jovens centristas, “o 25.º aniversário da CPLP é uma excelente oportunidade para reafirmar que existe um caminho a fazer em conjunto, que materialize os pressupostos da fundação da CPLP, e que coloque os holofotes do debate público na necessidade de aprofundar os laços que ligam a comunidade lusófona”.

A atual direção nacional da JP aposta na “reconfiguração da política externa portuguesa”, tema que quer discutir com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“É essencial que Portugal atue na sua política externa com uma orientação estratégica de nação marítima”, sublinha o responsável centrista, que defende que “o aprofundamento organizacional da CPLP e do âmbito e alcance da comunidade lusófona devem ser prioridades estratégicas para um país como Portugal”.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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