LL.M. é fator de diferenciação para firmas de advogados

Sociedades de advogados portuguesas olham para estes cursos como uma forma de preparar as suas equipas para responder os desafios da atualidade. Ter um LL.M. é “claramente diferenciador” ou mesmo “fundamental”, dizem as firmas ouvidas pelo JE.

Um curso de Legum Magister, ou Mestre de Leis (LL.M.), pode ser descrito como um programa em que a prática toma o lugar da teoria, conferindo aos alunos a possibilidade de ganharem experiência com assuntos reais – um fator especialmente importante para quem está prestes a ingressar no sector, mas também para os mais experientes advogados que encaram a formação como uma oportunidade para se especializarem em determinada temática.

Em Portugal é comum as firmas e sociedades de advogados terem nos seus quadros colaboradores portadores de um LL.M., conforme contam ao Jornal Económico (JE) a Antas da Cunha Ecija & Associados, a Vieira de Almeida & Associados, a Morais Leitão, a PLMJ e a Garrigues. Em todas estas firmas, o programa é entendido como um fator de diferenciação.

Inês Zenha, diretora de Recursos Humanos da PLMJ, explica que para os advogados da firma o LL.M. “é sempre um fator de diferenciação, não só pela especialização nos temas que estudaram, mas também pelas experiências que a realização do mesmo acarreta, na maioria dos casos com a passagem de um ano em ambiente puramente internacional e sujeitos a critérios de avaliação de outros sistemas de ensino. Além da questão da língua e naturalmente das redes de networking que são criadas durante esse período”.

Os LL.M. são muitas vezes concluídos em diferentes fases da carreira. Não obstante, a diretora de recursos humanos da PLMJ explica que aquilo que se procura nos advogados estagiários e nos advogados que concluem o curso é sempre a mesma coisa: “a capacidade para a resolução de temas complexos e inovadores na área em causa”. O contributo de uns e de outros é que é necessariamente diferente. “De quem já avançou mais na carreira espera-se que traga o input, a inovação e a resposta mais rápida a temas jurídicos complexos. De quem inicia agora a sua carreira, espera-se que traga consigo o conhecimento dos instrumentos que, aliados à experiência que terá na PLMJ, lhe permitirão com maior facilidade perceber a complexidade e encontrar as soluções inovadoras que o cliente necessita, em conjunto com os colegas mais experientes”.

Na Vieira de Almeida & Associados ter um LL.M. é considerado “fundamental”. A sociedade de advogados explica ao JE que “é importante investir e apostar em formações diferenciadoras, que, por sua vez, asseguram um fator de distinção na atratividade para as firmas de advogados que estejam sempre à procura de novos talentos”.

O LL.M. desempenha este papel, e é também uma ferramenta muito importante no direcionamento dos futuros advogados para uma especialização dentro das próprias firmas, justifica a Vieira de Almeida & Associados.

Por outro lado, acrescenta, “é notório o desenvolvimento que uma formação pós-licenciatura exigente proporciona ao nível da maturidade académica e da própria capacidade de raciocínio jurídico”.

A opinião é partilhada pela Morais Leitão, que sublinha a importância da especialização: “queremos ter os melhores, no sentido daqueles que mais sabem”. A firma explica que todos os seus advogados “têm uma formação de base muito sólida e distinguem-se, para além do mais, por dominarem determinadas áreas específicas do Direito. Isto permite responder aos sectores com segurança e antecipação de vários temas, oferecendo uma verdadeira mais valia ao cliente”.

A sociedade de advogados faz ainda referência à “preocupação com a atualização do conhecimento, sobretudo nos dias de hoje, em que a realidade evolui tão rapidamente e o Direito é forçado a acompanhar a uma velocidade inaudita”.

Na Antas da Cunha acredita-se que numa advocacia de empresas e de negócios, o fator da especialização é absolutamente imprescindível. “A complexidade das transações e processos é de tal maneira exigente que obriga a que os advogados tenham de se centrar numa determinada área para que possam conhecer aprofundadamente todas as questões que se levantam. É humanamente impossível dominar profundamente todas as áreas”, explica a firma.

A sociedade refere ainda que ter um LL.M. não é, por si só, um “elemento decisório” na hora de recrutar, mas é “claramente diferenciador”.

No entender da Garrigues, esta especialização é “um valor acrescentado”. A firma de advogados aponta para a experiência internacional, por considerar que vai proporcionar ao aluno uma “visão e experiência internacional do direito que é essencial numa prática jurídica cada vez mais global”. A Garrigues salienta ainda que “num contexto em que os negócios estão a tornar-se, cada vez, mais complexos e sofisticados, a especialização em áreas concretas do direito é mais necessária”.

Recomendadas

Digitalização, sustentabilidade e talento: três desafios da advocacia para 2022. Veja o debate do JE a partir das 15h00

Esta reflexão, que irá contar com a moderação de Filipe Alves, diretor do JE, tem como convidados Mónica Duque, assistente convidada – Faculdade Direito da Católica Porto; Catarina Santinha, associada sénior da Miranda & Associados, João Quintela Cavaleiro, sócio fundador da Cavaleiro & Associados, Paulo Câmara, managing partner da Sérvulo & Associados e Maria Figueiredo, Of Counsel da CMS Rui Pena & Arnaut.

Pedro Rebelo de Sousa: “A gestão não é a valência de um advogado”

Pode um advogado ser um bom gestor? No programa “Falar Direito”, da plataforma multimédia JE TV, Pedro Rebelo de Sousa defendeu essa situação pode acontecer mas “só por mero acaso” e que “a gestão não é a valência de um advogado”.

“Fisco parou no tempo. Sociedades de advogados já são verdadeiras empresas”, destaca José Luís Moreira da Silva

No âmbito do “Quem é Quem”, o anuário da advocacia de negócios em Portugal, promovido pelo JE, José Luís Moreira da Silva, presidente da Associação das Sociedades de Advogados de Portugal e sócio da SRS, é entrevistado por Mariana Bandeira, jornalista do JE, e aborda a forma como o Fisco ainda encara as sociedades de advogados.
Comentários