A Lufthansa está a estudar Portugal para abrir uma escola aérea, revelou hoje a companhia aérea.
Já houve inclusivamente contactos com a Força Aérea Portuguesa nesse sentido, de acordo com a empresa alemã.
Na conferência de imprensa sobre os resultados de 2025 em Frankfurt, o presidente da transportadora germânica também respondeu a perguntas sobre a privatização da TAP.
Carsten Spohr garantiu que a TAP “é importante” e que vai dar mais poder de fogo no “Brasil e na América do Sul” à Lufthansa. A ideia é “explorar sinergias” entre as empresas portuguesa e alemã.
“Portugal pode ser um parceiro estratégico”, defendeu o presidente da Lufthansa, apontando para o investimento de 300 milhões de euros no centro de manutenção de componentes em Santa Maria da Feira, para a TAP e para a a escola aérea.
Sobre se a Lufthansa já tinha estudado as contas da TAP, o gestor respondeu que já “conhece a companhia há muitos anos”.
Concentração de voos no Golfo Pérsico é um “calcanhar de Aquiles geopolítico”
A Lufthansa reagiu hoje à guerra no Médio Oriente apontando que a acumulação de hubs de aviação no Golfo Pérsico é um “calcanhar de Aquiles geopolítico”.
As companhias do Golfo Pérsico têm cancelado voos após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão e da retaliação de Teerão que tem atingido vários países da região.
O presidente da companhia alemã destacou hoje que a guerra no Médio Oriente prova novamente o quão vulnerável é o setor da aviação aos conflitos.
“Toda a indústria tornou-se mais resiliente, apesar de haver mais conflitos em todo o mundo”, afirmou Carsten Spohr em conferência de imprensa esta sexta-feira.
“O foco massivo em tráfego aéreo o global via Golfo Pérsico tornou-se um calcanhar de Aquiles geopolítico”, segundo o gestor.
Nos últimos dias, tem aumentado a procura por voos intercontinentais, dada a impossibilidade de voar sobre o Golfo Pérsico, com a companhia aérea a colocar mais voos para Singapura, Bangkok e Índia. Mas também tem havido aumento da procura por voos para a China e África do Sul.
A companhia aumentou lucros operacionais para os 2 mil milhões de euros, com receitas recorde de 40 mil milhões de euros, com o número de passageiros a subir para 135 milhões.
As contas de 2025 foram beneficiadas com o preço do combustível a níveis mais baixos com o preço do petróleo em baixa.
Para este ano, existe maior volatilidade nos mercados de petróleo com a disrupção do estreito de Ormuz, mas a expetativa é que as vendas voltem a subir.
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