Mais de um quarto do tempo trabalhado em Portugal vai ser remoto, dizem gestores

Estudo da BCG e Microsoft revela que número de empresas com políticas de flexibilidade no trabalho aumentou de 15% para 86% no país, no último ano.

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“Em Portugal, os gestores esperam que o volume de trabalho remoto duplique, implicando que 25-30% do tempo trabalhado passe a ser remoto”. Esta é uma das principais conclusões do relatório “Remote Working and the Platform of the Future”, realizado em parceria pela consultora Boston Consulting Group (BCG), a Microsoft e a KRC Research.

Antes da pandemia, Portugal estava abaixo da média europeia na adoção do trabalho remoto, mas durante o confinamento ultrapassou a média. Agora, olhando para o futuro, 92% dos líderes nacionais inquiridos estimam a permanência deste modelo na fase pós-pandemia.

Os dados recolhidos em 2019 indicavam que apenas 15% das empresas em Portugal reportava uma política de trabalho flexível, o que contrasta com os 86% registados este ano. Os principais benefícios identificados pelos empregadores em Portugal para esta nova forma de trabalhar são o aumento na produtividade (81%), a retenção de talento (72%), a sustentabilidade (71%) e a poupança de custos (71%).

No ano passado, os portugueses inquiridos referiram gastar 52% da semana de trabalho em tarefas desnecessárias, como reuniões, chamadas telefónicas e procura de informação. Este ano, com o trabalho remoto a ser uma realidade para uma grande parte das empresas, a evolução foi positiva e o valor reduziu para 44%.

“Observa-se uma queda no número de líderes em Portugal que afirmam que as suas empresas são altamente inovadoras em termos de produtos e serviços (56% em 2019 para 44% em 2020). Contudo, 98% destes vê a inovação do local de trabalho como uma prioridade”, conclui-se.

Segundo o estudo, o desafio do trabalho flexível em organizações com uma cultura de inovação é encarada pelos líderes de uma forma mais otimista em termos de crescimento: 49% dos líderes em empresas nacionais inovadoras espera que as suas organizações saiam da pandemia mais fortes do que o previsto. A média é 35%. No entanto, nas empresas portuguesas menos inovadoras, apenas 24% dos líderes tem essa visão, um valor equiparado à média europeia.

Os colaboradores de empresas mais inovadoras são mais propensos a tomarem decisões autonomamente (67%), comparativamente aos que trabalham em empresas menos inovadoras (33%). E a grande maioria (74%) considera aceitável cometer erros em empresas inovadoras, comparativamente com as menos inovadoras (51%), que são menos tolerantes ao erro.

Os colaboradores continuam a valorizar trabalhar no escritório, considerando o tempo passado no espaço físico como uma forma importante de manter os laços com os colegas, mas 35% dos inquiridos nacionais afirma que gostaria de trabalhar fora do ambiente de trabalho tradicional. E identificam benefícios associados ao trabalho remoto: 81% refere que em casa se veste de uma forma mais casual, 56% afirma que tem mais tempo para hobbies, 41% diz trabalhar na presença de animais domésticos e 37% disponibiliza mais tempo para as crianças.

“Os últimos meses mudaram, em definitivo, a forma de trabalhar e as expectativas de líderes e colaboradores”, salienta Paula Fernandes, diretora da Unidade de Negócio de Produtividade & Colaboração da Microsoft Portugal. Por seu turno, José Koch Ferreira, managing director and partner at Boston Consulting Group (BCG), considera que “o futuro do trabalho é híbrido, em múltiplas combinações de modelos de trabalho remoto, em função das funções e necessidades dos colaboradores”.

O estudo foi realizado em 15 países europeus – Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Noruega, Portugal, Reino Unido, Suécia e Suíça – e contou com a participação de 9.093 entrevistados (líderes e colaboradores), dos quais 607 portugueses.

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