Marcelo alerta contra o emagrecimento do multilateralismo

Nas conferências de Lisboa, uma organização do Clube de Lisboa, o Presidente da República afirmou que o papel da democracia é ser melhor que as propostas radicais, populistas e autoritárias e não o de as proibir, cortando-lhes a voz.

Miguel Figueiredo Lopes/Presidência da República handout via Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, alertou para os perigos que espreitam o mundo por causa da diminuição do multilateralismo – que sucede por via da emergência sanitária que o planeta vive, mas também porque os medos que essa emergência provoca dão consistência a propostas radicais e populistas.

Em mensagem (gravada) de participação nas Conferências de Lisboa 2020 – uma organização do Clube de Lisboa que vai na quarta edição, que tem como tema geral ‘A aceleração das mudanças globais’ – Marcelo disse que, apesar disso, “é um erro para a democracia fazer calar essas propostas”, para enfatizar que não se acrescenta qualidade ao sistema pela proibição dos radicalismos.

Para o Presidente da República, é lícita a “preocupação com a radicalização” de algumas propostas, mas as democracias têm de saber viver com isso e, ao invés de qualquer tipo de proibição, devem saber encontrar alternativas que sejam mais aliciantes que essas propostas radicais.

Numa curta mensagem, Marcelo teve ainda oportunidade de nada mais dizer sobre o tema, dadas as suas responsabilidades institucionais como Presidente da República. “É uma pena”, disse, que não possa ter a liberdade suficiente para participar no debate proposto pelo Clube de Lisboa, como sucedeu noutras alturas em que era apenas comentador.

O embaixador Francisco Seixas da Costa, responsável pela organização do debate, já antes tinha alertado para o problema do emagrecimento do multilateralismo. Sem as ‘amarras’ de qualquer função, Seixas da Costa de um nome ao principal responsável pelo problema: os Estados Unidos.

O embaixador afirmou que “a pandemia suscitou alguns medos, pasto de algumas propostas de natureza populista e autoritária – e uma não exclui a outra”. O facto de os Estados Unidos da era Trump terem optado pelo emagrecimento do multilateralismo é, na sua opinião, uma consequência do medo mas também uma causa cujos consequências não são ainda evidentes.

É a primeira vez que as conferências anuais do Clube de Lisboa são mantidas por via digital, mas não é por isso que a participação não tem sido elevada: “é até mais democrática”, disse Seixas da Costa, uma vez que permite a participação alargada de todos. Participação quer Seixas da Costa que tenham os jovens: o embaixador convidou as camadas mais jovens da população a apresentar, “sem uma agenda prévia”, quais são as suas preocupações globais – num quadro em que a comparação com as agendas dos ‘grandes’ pode dar sinais importantes para o mundo pós-pandemia.

O dia de trabalho decorreu com um debate sobre demografia – onde participaram John Ibbitson e Alioune Sall,  fundador do African Futires Institute – e sobre alterações climatéricas. As conferências continuam esta quinta e sexta feiras, com a participação, entre outros, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e a eurodeputada Elisa Ferreira.

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