Marcelo defende que escolas devem “fechar o mais cedo possível”

Apesar de apontar efeitos demolidores para os estudantes, Marcelo Rebelo de Sousa defende que as escolas devem fechar o “mais cedo possível”, disse hoje ao Observador.

Manuel de Almeida/Lusa

O Presidente da República e recandidato ao mesmo cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta quinta-feira, 21 de janeiro, ao “Observador” que a decisão do encerramento das escolas “vai ser demolidora para o ano letivo”.

A decisão final do Governo será apresentada hoje a partir das 13 horas após a reunião do Conselho de Ministros, mas tudo indica que os estabelecimentos de ensino serão encerrados já na sexta-feira.

Apesar de apontar efeitos demolidores para os estudantes, Marcelo Rebelo de Sousa concorda que a decisão a ser tomada deve ser “fechar o mais cedo possível para se perceber e enfrentar os desafios” que o país enfrenta atualmente. O Presidente da República classifica que esta decisão do Governo tem ainda como objetivo “manter os pais em casa”, ao mesmo tempo que os filhos têm de ficar a acompanhar as aulas remotamente.

Ao dia de ontem, 20 de janeiro, Marcelo Rebelo de Sousa, revelava que existiam novos dados a ser analisados em relação ao encerramento dos espaços de ensino. “Há dados novos que devem ir sendo ponderados e essa ponderação pode ser feita a todo o momento”, disse quando questionado sobre a possibilidade do fecho das escolas.

Na passada terça-feira, 19 de janeiro, o primeiro-ministro António Costa esteve no debate no Parlamento, onde admitiu a possibilidade do fecho das escolas caso a estirpe britânica se tornasse predominante. “Se para a semana soubermos, se amanhã soubermos, se depois de amanhã soubermos, se daqui a 15 dias soubermos, por exemplo, que a estirpe inglesa se tornou dominante no nosso país, muito provavelmente vamos ter mesmo de fechar as escolas e aí farei o que tenho de fazer, que é fechar as escolas”, disse António Costa no debate.

Na noite de quinta-feira, o Presidente da República disse concordar com o encerramento das escolas e universidades em Portugal como medida para travar a pandemia que voltou a bater recordes de casos e de mortes na quarta-feira.

“Eu já tinha a noção que isso podia acontecer [fecho das escolas]. Penso que é uma boa solução, se for essa a adotada em Conselho de Ministros, e pelos vistos a senhora ministra [da Saúde] anunciou, é uma boa solução”, disse Marcelo Rebelo de Sousa na quarta-feira à noite em entrevista ao Porto Canal.

“Primeiro, não é fácil distinguir entre ciclos e fechar A ou B ou C ou D. Em segundo, a disseminação social está a entrar nas escolas, o número de turmas que estão em casa aumentou muito substancialmente nos últimos tempos e alguns dos testes que começaram a ser feitos nas escolas apontam para a prudência desse tipo de medidas”, afirmou o chefe de Estado.

Ler mais

Relacionadas

Fecho das escolas e universidades. António Costa fala ao país a partir das 13 horas

O primeiro-ministro vai dirigir-se aos portugueses a partir das 13 horas. Fonte do executivo disse à Lusa que o Governo vai encerrar escolas e universidades a partir de sexta-feira.

Costa diz que Conselho de Ministros prepara-se para tomar medidas hoje perante “alarmante propagação da pandemia”

Depois de Portugal ter atingido o pior dia da pandemia desde o seu início há 10 meses, o Governo reúne-se hoje. Fonte do executivo avançou que o Governo vai encerrar as escolas e universidades do país a partir de sexta-feira, segundo a agência Lusa.

Presidente da República concorda com fecho de escolas e universidades: “É uma boa solução”

O Governo prepara-se para decidir hoje o fecho das escolas e universidades a partir de sexta-feira, segundo fonte do executivo citada pela Lusa. Portugal atingiu ontem o pior dia em mortes e infeções desde o início da pandemia há 10 meses.

Governo decide hoje encerrar todas as escolas a partir de sexta-feira

O Governo vai decidir hoje, em Conselho de Ministros, o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino, do Básico ao Superior, com efeitos a partir de sexta-feira, disse à agência fonte do executivo.
Recomendadas

Portugal promove “soluções para impacto assimétrico da crise”, garante ministro das Finanças

“Chegámos a um acordo sem precedentes que permite a emissão de dívida europeia em larga escala para financiar a recuperação economia europeia através dos programas de recuperação europeus”, referiu João Leão depois da reunião do G20.

Lei que acelera levantamento das penhoras entra em vigor amanhã

Na origem desta lei, publicada esta sexta-feira, está uma proposta do Governo – alvo de várias alterações durante a discussão na especialidade, no parlamento – de alteração a diversos códigos fiscais.

Nazaré da Costa Cabral: “Existe uma grande incerteza quanto ao desempenho da economia em 2021”

A presidente do Conselho das Finanças Públicas, Nazaré da Costa Cabral, diz que a situação da economia portuguesa é “complexa”, estando dependente da evolução da pandemia e da capacidade de recuperar da “má imagem” internacional para voltar a conquistar turistas.
Comentários