Mariana Vieira da Silva: “Voto contra do Bloco é sinal de quem não quer melhorar” OE 2021

A poucas horas do início da discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2021, a ministra do Estado e da Presidência afirmou que “um voto contra significa dizer: o Orçamento nem na generalidade passava”.

Mariana Vieira da Silva

A ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, criticou o anúncio do voto contra na generalidade do Bloco de Esquerda ao Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), considerando que esse é um sinal de “quem não quer melhorar” o documento.

“Quem na generalidade se coloca fora, ou seja, diz que não está disponível para melhorar o Orçamento, porque é isso que significa um voto contra, lidará e interpretará as condições que tem para continuar a dizer que defende uma resposta diferente à crise”, afirmou a governante à TSF esta terça-feira, salientando que “quando escolhemos uma abstenção damos o sinal de que queremos continuar a fazer o caminho. Quando escolhemos o voto contra, um voto contra significa dizer: o Orçamento nem na generalidade passava”.

Questionada se a ruptura com os bloquistas é irreversível, Mariana Vieira da Silva escusou-se a uma resposta taxativa: “não creio que ganhemos muito nesse tipo de reflexão”, defendendo que “o que aqui está em causa é um conjunto de partidos que durante a crise anterior disseram muitas vezes que era possível dar uma resposta diferente e que agora têm que decidir se participam nesse caminho de uma resposta diferente ou se não participam”.

“Não é uma questão de relações irreversíveis ou irrecuperáveis. Não é isso que está em causa. O que estamos a tratar é de políticas e de respostas”, disse, antes de frisar que “o Governo não tem maioria e tem muita consciência disso” e que, portanto, fez “sucessivas aproximações” às reivindicações da esquerda durante o processo de negociações.

Apontando como um “exemplo claro do caminho que fizemos e porque é que o Governo vê com muita perplexidade o voto contra do Bloco de Esquerda” o novo apoio social, Mariana Vieira da Silva sublinhou que “a proposta que vai começar hoje a ser votada, prevê-se que se aplique a 258 mil pessoas, mais do dobro e que custe 633 milhões de euros, um aumento muito significativo – este é um sinal do que fizemos”, o que considera ser uma cedência face à proposta inicial do Bloco que apontava para 100 mil pessoas e custar 420 milhões de euros.

Negou ainda que existe uma diminuição das verbas para o SNS, defendendo que “todos os anos temos vindo a aumentar o número de médicos”, ainda que admita que subsistam alguns problemas. “Ninguém nega que em alguns sítios gostaríamos de ter mais médicos e não ficar com os concursos desertos. Temos neste Orçamento medidas para responder a esses problemas”, acrescentou.

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