Maxyield. Benfica SAD pode arrecadar até 290 milhões com aumento de capital e passar para o PSI 20 (com áudio)

O Clube dos Pequenos Acionistas escreveu uma carta à Benfica SAD a sugerir um aumento de capital para a cotada integrar a primeira divisão da bolsa de Lisboa, com o objetivo de aumentar a capacidade financeira da SAD encarnada.

Tiago Petinga/Lusa

A Maxyield – Clube dos pequenos acionistas escreveu uma carta à administração da Benfica SAD com o objetivo de identificar as “áreas estratégicas para o bom governo societário”.

Para aumentar a capacidade financeira da cotada, o clube de investidores defende que a SAD encarnada deveria realizar um aumento de capital, que lhe permitiria integrar a primeira liga do mercado de capitais em Portugal: o índice PSI 20, o principal da bolsa de Lisboa.

Na missiva, começa por ser ressalvado que a autonomia financeira da SAD deverá recuar oito pontos para os 20% entre o final de 2020 e 30 de junho, em consequência do “resultado negativo” estimado para o 2º semestre da época 2020 – 2021.

Por outro lado, a SAD também apresentava no final de 2020 um “fundo de maneio negativo no valor de -35 milhões de euros cujo montante se agravou no decurso do segundo semestre 2020/2021, provocando dificuldades de liquidez e fortes constrangimentos de tesouraria”.

Analisando o empréstimo obrigacionista a três anos, “relativamente ao qual existem indícios de dificuldade de colocação, face à finalidade anunciada” a Maxyield considera que “não vai permitir ultrapassar a condicionante de liquidez a curto prazo”.

A emissão obrigacionista da Benfica SAD decorre até ao dia 23 de julho, e as ordens de compra poderão ser revogadas ou alteradas até ao último dia da oferta. A emissão tem um montante global de 35 milhões de euros, a um prazo de três anos, pagando uma taxa de juro de 4%. A emissão vai ter lugar a 28 de julho.

“Num contexto de difícil acesso ao crédito bancário, o recurso a sucessivos empréstimos obrigacionistas anuais com custos associados elevados, para reembolsar obrigações vencidas e cobrir necessidades de tesouraria, não se afigura uma base sólida para manter uma adequada estrutura financeira a médio e longo prazo”, pode-se ler na carta a que o JE teve acesso.

Sobre a ação da Benfica SAD, que integra o PSI Geral da bolsa de Lisboa, apenas 11% do seu capital encontra-se em ‘free float’ no mercado, “cujo valor representa uma posição secundária e irrelevante no mercado de capitais, bem como baixos níveis de transação”.

“A implementação duma solução financeira estável e sustentável, passa por colocar a Benfica SAD na primeira divisão do mercado bolsista com integração no PSI 20 e forte dispersão do capital. Isto só é possível através de significativo aumento do capital social da SAD, sem perda de controle pelo Sport Lisboa e Benfica, mantendo uma posição no capital social nunca inferior a 50% das ações escriturais (com direito a voto) e adotando um mix de ações escriturais e ações preferenciais remíveis sem voto”, defende a Maxyield na carta.

Com esta estratégia, seria possível “triplicar o capital” da Benfica SAD, “eliminando as situações de opacidade na composição da estrutura acionista e introduzindo transparência relativamente às participações qualificadas”.

“Esta capacidade de mobilizar capital no valor de [entre 230 a 290 milhões de euros] num espaço temporal alargado, e participação na primeira divisão do mercado bolsista, potenciam a qualidade de Sociedade Aberta da Benfica SAD num quadro de robustez financeira indispensável à concretização duma politica desportiva de sucesso”, acrescenta a associação liderada por  Carlos Alberto Rodrigues.

A Maxyield acredita que esta é a “solução adequada, pois os atuais acionistas com participações qualificadas não têm capacidade financeira para assegurar o desenvolvimento estratégico da Benfica SAD e mostraram estar mais interessados na obtenção de significativas mais valias com a alienação fora de mercado das suas posições. Neste âmbito, seria interessante conhecer a génese e origem destas posições, bem como os valores de aquisição, para eliminar a opacidade existente”.

Quem manda na SAD? O Sport Lisboa e Benfica detém 67% da Benfica SAD (SL Benfica com 40%, Benfica SGPS com 23,65% e Luís Filipe Vieira com 3,28%) seguindo-se José António dos Santos com 13,62%, José da Conceição Guilherme com 3,73%, Quinta dos Jugais com 2%, Grupo Valouro com 1,96% e Avibom com 0,75%.

Recorde-se que o empresário José António dos Santos estava a negociar com o investidor norte-americano John Textor a venda direta de 25% do capital da SAD. O investidor disse recentemente que continua interessado em comprar 25% da Benfica SAD por 50 milhões de euros.

A CMVM anunciou na segunda-feira que está a fazer investigações a eventuais infrações relacionadas com as ações da SAD do Benfica, depois das notícias vindas a público nas últimas semanas.

“Os eventos das últimas semanas evidenciam infrações passíveis de fazer perigar a integridade do funcionamento do mercado de capitais e a proteção dos investidores, nomeadamente na divulgação de informação ao mercado e de abuso de informação, as quais continuarão a ser investigadas”, segundo o supervisor de mercado.

Benfica SAD diz que “não está em condições de avaliar” se investidor norte-americano pode ser impedido de entrar

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