Merkel manifesta incerteza sobre aprovação do plano de relançamento na cimeira europeia

A chanceler alemã Angela Merkel manifestou hoje incerteza pela possibilidade de um acordo entre os 27 países da União Europeia (UE) sobre um plano de relançamento de 750 mil milhões de euros proposto para enfrentar a pandemia do coronavírus.

Reuters

“Não sei se vamos chegar a um acordo” durante a cimeira europeia de sexta-feira e sábado, advertiu durante uma conferência de imprensa com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, em Meseberg, perto de Berlim.

“Nada ainda está seguro. Os caminhos que temos de percorrer ainda são longos”, acrescentou. “Não sei se vamos obter um acordo a partir de sexta-feira, mas isso seria positivo para a Europa”, assinalou, admitindo implicitamente a necessidade de uma segunda cimeira.

A dirigente conservadora, que se congratulou pela “disciplina e a admirável paciência” dos italianos duramente atingidos pela pandemia, insistiu na necessidade de uma “resposta forte” a esta crise que atinge de forma violenta as economias europeias.

“Pelo facto de se tratar de uma imensa tarefa, a resposta também deve ser importante”, acrescentou. Merkel recusou qualquer perspetiva de redução do plano de relançamento, insistindo pelo contrário de que deverá “ser massivo”.

A cimeira europeia deve demonstrar que “a Europa deseja ser solidária. Isso implica uma dimensão política, para além dos números”, segundo assinalou, alertando para “a necessidade de ainda construir pontes” entre os países da UE.

Por sua vez, Giuseppe Conte sublinhou a necessidade para os europeus de “atuarem depressa”.

“Devemos atuar depressa porque a História ensina-nos que a melhor das reações não vale grande coisa caso surja muito lentamente”, acrescentou.

A cimeira extraordinária anuncia-se tensa devido às reticências dos Estados “frugais” face ao Fundo de Recuperação, o plano de relançamento que inclui 250 mil milhões de euros de empréstimos, e sobretudo de subvenções que atingem os 500 mil milhões de euros que não devem ser reembolsados pelos Estados beneficiários.

A Áustria, Holanda, Suécia e Finlândia, designadamente, têm revelado muita desconfiança face a este plano que beneficiará essencialmente os países do sul, com destaque para Itália e Espanha, os mais atingidos pelas devastadoras consequências socioeconómicas da pandemia.

Na sexta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, apresentou uma proposta revista do plano de recuperação, que reduz o orçamento plurianual 2021-2027 para 1,07 biliões de euros, mas mantém o Fundo de Recuperação nos 750 mil milhões.

A proposta que Charles Michel coloca em cima da mesa com vista a um compromisso entre os 27 ainda este mês, elaborada após contactos bilaterais com os líderes europeus ao longo das últimas semanas, diminui em cerca de 2% o montante global do Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para os próximos sete anos face à proposta da Comissão (1,1 biliões de euros), mas não agrava os cortes já antes previstos para a política de coesão e agricultura.

Para ‘agradar’ aos países frugais, o presidente do Conselho Europeu propõe, entre outras medidas, a manutenção dos polémicos ‘rebates’, os ‘descontos’ de que beneficiam grandes contribuintes líquidos, para Holanda, Áustria, Dinamarca, Suécia e também Alemanha.

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