Ministra da Saúde diz que “ainda não é o momento” para falar em desconfinamento

Marta Temido afirma que se o esforço coletivo e as medidas do Governo se reverterem “voltaremos a atingir números de incidência e de risco de transmissão que não são aqueles de que precisamos”. E sublinha o elevado número de doentes de Covid-19 que continuam internados em unidades de cuidados intensivos.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A ministra da Saúde, Marta Temido, afastou a hipótese de reverter de imediato as medidas restritivas de combate à pandemia de Covid-19 no final da apresentação da Situação Epidemiológica da Covid-19 em Portugal, que decorreu nesta segunda-feira no auditório do Infarmed, em Lisboa. “Ainda não é o momento de falar de tempos e de modos”, respondeu a governante a perguntas sobre cenários de desconfinamento.

Apesar da “reafirmação da tendência de descida” na incidência da pandemia em Portugal, com a redução do número de novos casos para abaixo de 300 por 100 mil habitantes, e de a taxa de transmissibilidade do SARS-CoV-2 ser neste momento a mais baixa da União Europeia, Marta Temido disse estar preocupada com o elevado número de doentes de Covid-19 internados em cuidados intensivos. Isto porque, apesar de os peritos terem projetado na reunião do Infarmed que Portugal poderá ter um pouco mais de 300 infetados com o novo coronavírus internados nessas unidades em meados de março (e abaixo de 300 no final desse mês), os atuais 627 são, segundo os intensivistas, precisamente o número de camas de cuidados intensivos que deveriam ser alocados a outras enfermidades.

Marta Temido também partilhou a sua “preocupação com algum relaxamento” dos portugueses, verificando-se um “ligeiro aumento” na mobilidade com a diminuição do número de novos casos. “Sabemos hoje de forma muito precisa que os valores a que chegámos se devem a um esforço coletivo e às medidas em vigor. Se o esforço se inverter voltaremos a atingir números de incidência e de risco de transmissão que não são aqueles de que precisamos”, disse.

Outro factor que aconselha “passos pequenos, relativamente aos quais não temos ainda aas certezas todas”, é a necessidade de controlar novas variantes do SARS-CoV-2, nomeadamente a brasileira.  Equacionar medidas de desconfinamento e o calendário da sua aplicação é algo que, segundo Marta Temido, implicará uma “apreciação cautelosa, prudente e ponderada”, dependendo também da rapidez no processo de vacinação e da intensificação da testagem. A possibilidade de as vacinas serem administradas em farmácias comunitárias foi admitida pela governante como uma forma de facilitar o processo.

Quanto à possibilidade do regresso do ensino presencial, a ministra da Saúde recordou que foi a última atividade que o Executivo parou, sendo por isso “coerente” que o desconfinamento se inicie pelas atividades escolares.

Relacionadas

Número de camas ocupadas em hospitais devido à Covid-19 vai diminuir, diz especialista

Durante reunião do Infarmed com Governo, Baltazar Nunes destacou que “o número de camas ocupadas possa estar abaixo das 300 na segunda quinzena e abaixo das 200 no final do mês de março”

Coordenador da task force diz que no segundo trimestre o país vai estar a administrar 100 mil vacinas por dia

Henrique Gouveia e Melo acredita que no segundo trimestre do ano o país vai estar sujeito a várias inoculações por dia e defende que será preciso arranjar “modelos alternativos aos centros de saúde ou cuidados primários”.

Covid-19: Especialista adverte que fim do confinamento rígido pode exponenciar aumento da variante britânica

Epidemiologista João Paulo Gomes, do Instituto Ricardo Jorge, defende que bloqueio aos processos de transmissão secundária impediram que a variante do Reino Unido atingisse uma prevalência tão elevada quanto se temia. Até agora os casos detetados das variantes da África do Sul e de Manaus continuam muito reduzidos.
Recomendadas

Quase 4.400 entidades integram a lista de candidatas à consignação do IRS

Entre misericórdias, fundações, casas do povo, teatros, centros sociais e paroquiais, igrejas, bombeiros e variadas associações um total de 4.399 entidades integra a lista de candidatos à fatia de imposto que os contribuintes lhes podem consignar quando fazem a entrega da sua declaração anual do imposto.

EUA: Fortes números do emprego em fevereiro deixam antever aceleração da recuperação laboral nos próximos meses

O crescimento do emprego norte-americano, bem acima das expectativas do mercado, e as projeções para as contas nacionais trimestrais da economia mais afetada pela Covid-19 deixam adivinhar uma recuperação mais rápida e vigorosa a partir de agora, dada a evolução da pandemia no território.

Sector da construção em contraciclo aumenta investimento e VAB em 2020, dizem Associações

“O investimento em construção evidenciou-se com um crescimento de 4,8%, num ano em que o investimento total registou uma variação de -4,9%, em termos homólogos. Os dados são das associações do sector.
Comentários