Mobilidade elétrica acelera crescimento, à saída da crise

Ricardo Tomaz, responsável pelo marketing do grupo SIVA, acredita que a massificação dos eletrificados, ou seja, de veículos com motorização elétrica e térmica, irá acontecer em 2022, numa altura que os preços dos automóveis irão descer e a autonomia irá aumentar para uma média de 600 quilómetros.

Com os preços dos automóveis a rondar, já, os 30 mil euros e autonomias médias em torno dos 500 quilómetros, a eletrificação automóvel está a conquistar o seu espaço a passos rápidos. As gestoras de frotas estão a adaptar-se a esta nova realidade e a responder às necessidades dos clientes que querem veículos eletrificados, por causa da sustentabilidade e das benesses fiscais.

Ricardo Tomaz, responsável pelo marketing do grupo SIVA, acredita que a massificação dos eletrificados, ou seja, de veículos com motorização elétrica e térmica, irá acontecer em 2022, numa altura que os preços dos automóveis irão descer e a autonomia irá aumentar para uma média de 600 quilómetros. Para as gestoras de frotas, o próximo será um ano em que se mantém o grande desafio que é a adaptação.

Nesta linha, a maior gestora nacional, a Leaseplan, lançou o produto Start Electric, uma “solução integrada desenvolvida para incentivar a mudança para um veículo elétrico”, diz o diretor comercial da empresa, Ricardo Silva, ao Jornal Económico (JE). Também a ALD Automotive, avançou para a “abertura e flexibilidade na construção/atualização das políticas de viaturas”, quer com “uma gestão muito ativa dos contratos atuais, quer com novos produtos como é o caso do ALD Flex e do ALD 2Life”. Isto, em meio da crise de fornecimento de componentes eletrónicos, que “veio criar dificuldades reais, que se fizerem sentir essencialmente no panorama das encomendas e entregas”, diz Nuno Jacinto, diretor comercial da ALD Automotive. “A falta de stocks, prazos de entrega alargados e grande instabilidade nas datas de entrega foram as dinâmicas mais afetadas e com poucas soluções por parte dos construtores”, aponta.

Ricardo Silva, por seu lado, considera que a tendência de eletrificação é irreversível, depois de no final de 2020 as vendas de veículos eletrificados (que envolvem motorização híbridas e 100% elétricos) terem superado em volume de vendas os automóveis diesel. Nuno Jacinto acrescenta que “a procura crescente de veículos elétricos ou PHEV ao nível das frotas tem refletido uma predisposição e um caminho rumo à mobilidade elétrica”.

“Os últimos desenvolvimentos conduzem-nos para um futuro por parte das marcas mais direcionado aos veículos eletrificados, não apenas pela evolução da tecnologia, mas também pelo lançamento de novos modelos e pelo incremento de baterias com maior autonomia. Uma procura superior não será fácil no curto prazo, mas acreditamos que os veículos elétricos captem grande parte do crescimento e se tornem cada vez mais relevantes no médio prazo, a partir de 2025, onde se estima na Europa uma procura de EV de 30% e de 50% de BEV em 2030. É um processo em crescimento exponencial”, acrescenta.

 

Renting aposta na flexibilidade
O impacto da transformação elétrica na gestão de frotas, acompanhada pela crise provocada pela pandemia de Covid-19 em 2020 e, em parte, em 2021, a par da crise dos construtores com a escassez de matérias-primas e componentes, como o cobre e os chips, foi mitigada pela natureza flexível dos produtos das gestoras de frotas que foram colocados à disposição dos clientes. Houve prolongamento de contratos, sendo que alguns atingiram o limite do que era possível, e depois registou-se uma forte procura de soluções de curto e médio prazo e ainda mais flexíveis. De salientar que quando se fala de renting e de frotas o conceito é aplicado tanto a empresas com centenas de automóveis como a microempresas.

Nuno Jacinto frisa que a gestão e frotas é uma “atividade muito resiliente, principalmente em épocas de crise”. “Continuar a servir os clientes e manter a sua mobilidade foi a maior preocupação. A evolução do setor deu-se pela reposta eficaz à procura por soluções de mobilidade de rápida aplicabilidade e acima de tudo customizadas, no sentido de assegurar a flexibilidade necessária a esta nova realidade. Não há uma solução universal, mas o facto de termos diferentes produtos ajustáveis a cada caso, veio dar resposta às necessidades dos clientes e reforçar o papel do renting”, afirma. O gestor da ALD Automotive afirma que as operadoras procuraram mitigar todos os constrangimentos, garantindo mobilidade e disponibilidade de serviços.
Os constrangimentos para o crescimento do sector são díspares e vão desde a instabilidade fiscal, à crise dos chips, ao encarecimento das matérias-primas para os componentes automóveis, tornando o produto final mais caro, até à dificuldade de entrega dos novos modelos. Por outro lado, a evolução das infraestruturas elétricas que Ricardo Tomaz, da SIVA, diz estar a acelerar, e com a atual autonomia das novas viaturas, deixou de ser um grande problema.

Assim, o mercado tem espaço para crescer nos próximos anos, com o processo de recuperação da economia e a necessidade de cumprimento de objetivos a nível da mobilidade sustentável, para contrariar as alterações climáticas.

João Soromenho, da gestora Arval, tem uma visão otimista a nível de crescimento, mesmo com a falta de semicondutores e o consequente fecho de produção, aliado aos enormes constrangimentos na logística na oferta de viaturas novas, “que vem, seguramente, criar um enorme problema na indústria automóvel (sem falar noutros sectores igualmente afetados) e claro, na capacidade das gestoras de frota em responderem às necessidades dos seus clientes”.

 

Valor residual em crescendo
A questão do valor residual (TCO) do veículo eletrificado também deixou de ser tema. Refere Ricardo Tomaz que um veículo do segmento médio tem um TCO que fica entre um veículo a gasolina e um diesel, sendo que este último continua a ter o melhor valor, mas a valorização do veículo eletrificado é galopante. E um estudo recente da CarNext revela uma crescente tendência de compra de carros elétricos e híbridos para quem opta por um carro usado. O Barómetro de Mobilidade da CarNext indica que “66% dos portugueses sentem-se à vontade para adquirir um modelo elétrico ou híbrido usado”. E na tomada dessa decisão está o fator ambiental a as escolhas sustentáveis na mobilidade para o futuro. Em Espanha, a percentagem de condutores que aderem ao modelo é superior e atinge os 88%. Aliás, este foi um dos grandes temas de um líder europeu de gestão de frotas, a ADL Automotive, que na recente conferência internacional intitulada “EV Strategy” falava do objetivo a nível das alterações climáticas para 2050, advogando uma descida mais rápida das emissões de CO2 e do foco dos construtores nesse objetivo. A empresa defendeu que a descida das emissões por parte dos automóveis tem de acontecer já nesta década e assumiu que, como companhia corporate, tem de levar os clientes a escolher os veículos não poluentes.

Recordaram os intervenientes nesta conferência “EV Strategy” que a mobilidade representa até 50% das emissões, sendo que a eletrificação é o instrumento que se encontra à disposição do consumidor – individual e empresarial – para reduzir as emissões. A implicar na sustentabilidade das frotas está a produção e extração de matérias-primas, a produção do veículo e o desmantelamento em final de vida. A gestora sente que os clientes fazem pressão para a redução das emissões das frotas.

No mesmo evento foi referido que já existem casos em que o “total cost ownership” (valor residual do veículo) dos elétricos é competitivo com os veículos térmicos. Entretanto, é expetável uma maior regulação da mobilidade nas cidades e o ano de 2023 vai trazer novidades relativamente a emissões em localidades.

A nível de postos de carregamento, o grande trabalho passa pela massificação das infraestruturas de carregamento, a par da transferência dos preços e a facilitação do roaming entre os vários operadores que atuam nos carregamentos. O objetivo é criar um ecossistema na indústria do carregamento.

Atualmente, a expetativa é de forte crescimento nas frotas, com subida de vendas nos veículos híbridos, muito embora na Europa 70% das vendas de veículos eletrificados esteja concentrada em cinco países, com a Europa de Leste a ficar para trás nesta tendência. A ALD Automotive gere uma frota de oito milhões de carros em todo o mundo e a expetativa para 2025 é que 30% dos novos contratos serão BEV, depois de no 1º semestre deste ano, ter atingido os 26% de carros eletrificados nos novos carros sob gestão.

Recomendadas

Sonae, SAP e Nestlé lideram programa europeu de requalificação de profissionais

De acordo com o comunicado divulgado esta sexta-feira, a primeira ação de formação será liderada pela Nestlé, dirigindo-se à requalificação de profissionais para o setor da Indústria. A formação para Técnicos de Manutenção irá arrancar em janeiro de 2022 no Serviço de Formação do Porto do IEFP e terá a duração aproximada de seis meses.

Teletrabalho. CES, parceiros sociais e Escola Nacional de Saúde vão estudar impacto do trabalho remoto

Explica o Conselho Económico e Social em comunicado que este projeto “tem como objetivo compreender de que forma o teletrabalho pode afetar a saúde mental e física dos funcionários e, indiretamente, o bem-estar no trabalho, a organização das empresas e a sua produtividade”.

Ordem dos Economistas. Veja ou reveja a entrevista a António Mendonça, novo bastonário da Ordem

A 7 de outubro, o então candidato a bastonário destacou em entrevista ao JE que o objetivo da sua candidatura passava por mudar a Ordem, prestigiar os economistas e colocar esses profissionais ao serviço do crescimento económico do país, nomeadamente no que diz respeito ao acompanhamento e monitorização do Plano de Recuperação e Resiliência. António Mendonça foi eleito esta sexta-feira, numa corrida eleitoral que contou com a presença de Pedro Reis.
Comentários