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Moçambique quer renegociar dívida depois de acordar programa com o FMI, diz Presidente Daniel Chapo

Em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg no âmbito da visita aos Emirados Árabes Unidos, Chapo afirmou: “O que queremos neste momento é concluir o acordo com o FMI e depois avançar para o aspeto que está a mencionar, nomeadamente a renegociação da dívida com os parceiros internacionais”.
epa11826051 Mozambique’s President-elect Daniel Chapo holds a flag of the Presidential Pavilion during his inauguration ceremony as Mozambique’s fifth president at Independence Square in Maputo, Mozambique, 15 January 2025. On 23 December, Chapo, 48, was declared the winner of the presidential election by the Constitutional Council (CC) with 65 percent of the vote in the general elections held on 9 October, which included legislative and provincial assembly elections also won by Frelimo. EPA/LUISA NHANTUMBO
15 Janeiro 2026, 11h45

O Governo de Moçambique vai tentar renegociar a dívida com os parceiros depois de alcançar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um novo programa de assistência financeira, anunciou o Presidente, Daniel Chapo.

Em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg no âmbito da visita aos Emirados Árabes Unidos, Chapo afirmou: “O que queremos neste momento é concluir o acordo com o FMI e depois avançar para o aspeto que está a mencionar, nomeadamente a renegociação da dívida com os parceiros internacionais”.

Segundo o chefe de Estado moçambicano, que concluiu recentemente um ano à frente da Presidência deste país africano lusófono, “é preciso estabelecer confiança primeiro”, mas pelo menos para já fica de fora a renegociação da dívida com os credores dos 900 milhões de dólares [773 milhões de euros] de dívida pública emitida no seguimento do chamado escândalo das dívidas ocultas, em 2016.

“Neste momento, não”, respondeu Chapo à pergunta se os termos da emissão de Eurobonds poderiam alterar-se, o que muito provavelmente acarretaria uma descida do ‘rating’ de Moçambique.

“Vamos considerar tudo isto depois de fechar este pacote, a que chamo o pacote para estimular a situação macroeconómica do país”, afirmou ainda Chapo, apontando que o novo programa com o FMI poderá ficar fechado em março.

O custo que os investidores cobram para transacionar a dívida pública moçambicana no mercado secundário subiu hoje 51 pontos-base, para 14,4%, pouco depois da divulgação da entrevista pela Bloomberg, liderando a lista dos piores desempenhos nos mercados emergentes.

O programa do FMI em Moçambique acabou no princípio de 2025, quando o Governo decidiu não continuar as revisões programadas relativas ao programa de três anos, devido à violência que varreu o país no último trimestre de 2024 em protesto contra os resultados eleitorais, e que, na prática, fez descarrilar todas as metas.

A economia cresceu apenas 1,1% no ano passado, mas deverá melhorar para 2,8% este ano, de acordo com as previsões do Banco Mundial divulgadas esta semana, mas ainda assim abaixo da média da região, que deverá crescer 4,3% em 2026.

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