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Mundo já está a viver o maior corte de abastecimento de energia de sempre

Mercados não ficaram convencido com reservas estratégicas e preço voltou a disparar. A Rússia está a ganhar mais dinheiro com petróleo e até vende o barril a um preço mais alto.
14 Março 2026, 10h01

O mundo já está a viver o maior corte de abastecimento de energia de sempre. Neste momento, 20% do fornecimento global de petróleo foi interrompido depois do Irão ter bloqueado o estreito do Ormuz. O recorde anterior com 70 anos foi pulverizado: na crise do Suez em 1956 quando ‘apenas’ 10% foi cortado.

“A guerra no Médio Oriente está a criar o maior corte de fornecimento na história do mercado global de petróleo”, disse a Agência Internacional de Energia (IEA) na quinta-feira.

Do outro lado do estreito de Ormuz veio a ameaça que ninguém queria ouvir: “Preparem-se para o petróleo a 200 dólares por barril”, avisou o Irão depois de ter atacado mais petroleiros.
Donald Trump disse que a guerra vai acabar rapidamente e que está mais preocupado em eliminar a ameaça do Irão do que o preço do petróleo.

A Rússia agradece o caos no Médio Oriente e continua a vender petróleo à China e à Índia, mas com o barril a 30 dólares mais caro (entre 70-80 dólares). O Kremlin já arrecadou entre 1,3-1-9 mil milhões de dólares em impostos de exportações de petróleo desde que a guerra começou, a uma média diária de 150 milhões de dólares extra. Os dados são do “Financial Times” que avisa que o regime de Vladimir Putin pode vir a arrecadar mais 5 mil milhões de dólares em receitas este mês.

Quatro dias de consumo global. É este o peso dos 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas de mais de 30 países. Os mercados não ficaram impressionados. O preço voltou a disparar e regressou novamente aos mais de 100 dólares por barril na quinta-feira.

O Ayatollah Mojtaba Khamenei já avisou que o estreito de Ormuz vai permanecer fechado como “ferramenta de pressão” enquanto os ataques dos EUA-Israel continuarem.

Os mercados estão a apostar cada vez numa guerra prolongada que “cause extensos danos económicos”, disseram os analistas do Deutsche Bank.

Já a Guarda Revolucionária do Irão voltou a avisar que prepara-se para “deitar fogo” ao setor regional de petróleo e gás se continuar a ser atacado.

A guerra EUA-Irão pulverizou o recorde anterior quando em 1956, o Reino Unido, França e Israel invadiram a Península do Sinai no Egipto. Na altura, havia 35% de produção disponível no resto do mundo para colmatar a quebra, contra os zero por cento agora registados.

Os dados são da Rapidan Energy citados pela “CNBC”.

Olhando para o embargo dos países árabes às exportações em 1973, que provocou o famoso choque petrolífero, apenas 7% do fornecimento foi cortado. Outras crises como a Revolução Iraniana (78/79) ou a primeira guerra do Golfo (90/91) cortaram menos de 10% do fornecimento global cada uma.

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